Alto Vale

Violência contra a mulher persiste e exige denúncia no Alto Vale

Especialistas explicam ciclo da violência, alertam para manipulação psicológica e destacam medidas de proteção disponíveis na região.

Violência contra a mulher persiste e exige denúncia no Alto Vale Violência contra a mulher exige denúncia no Alto Vale. Foto: Reprodução / Site Universa UOL

A violência contra a mulher segue presente no Alto Vale e, muitas vezes, ocorre de forma silenciosa. Além das agressões físicas, práticas psicológicas dificultam que a vítima rompa o ciclo de abusos e busque ajuda.

Em entrevista à Rádio Sintonia, profissionais da segurança pública explicaram como esse processo acontece e quais ferramentas estão disponíveis para proteção.

Ciclo da violência doméstica preocupa autoridades

De acordo com a policial civil Patrícia Velasco, a violência doméstica costuma seguir um padrão que se repete ao longo do tempo: “Tem um ciclo de violência doméstica, que começa com a fase da paixão, depois vêm as cobranças, a agressão e, em seguida, tudo recomeça”, afirma.

Segundo ela, esse comportamento faz com que muitas vítimas permaneçam na relação abusiva. Além disso, a dificuldade em reconhecer o problema contribui para a continuidade das agressões.

Violência psicológica e o efeito do “gaslighting”

A soldado Juliana Bezerra chama atenção para a violência psicológica, que pode ser tão prejudicial quanto a física. Um dos exemplos citados é o chamado “gaslighting”, quando o agressor manipula a vítima para que ela duvide da própria percepção: “Tem uma intenção de afetar emocionalmente. Ele cria situações para confundir a vítima, fazendo com que ela acredite em algo que não aconteceu”, explica.

Esse tipo de comportamento pode ocorrer de forma repetida, levando a vítima a questionar a própria sanidade. Como resultado, a dependência emocional aumenta e a saída do ciclo se torna mais difícil.

Ações com agressores e mudança cultural

Além da proteção às vítimas, as autoridades defendem ações voltadas também aos agressores. Conforme Patrícia Velasco, apenas a punição não garante mudança de comportamento: “O agressor precisa entender que esse comportamento é errado. Muitas vezes, ele reproduz algo que aprendeu ao longo da vida”, diz.

Ainda segundo ela, iniciativas começaram a ser discutidas na região, com participação do Ministério Público e municípios, visando desenvolver políticas específicas para reeducação dos agressores.

A policial também aponta que a violência contra a mulher está ligada a uma questão cultural: “Enquanto não houver mudança no entendimento sobre machismo e agressividade, o problema vai continuar”, afirma.

Medidas protetivas e tecnologia ampliam segurança

Atualmente, a região conta com dezenas de medidas protetivas em vigor. Segundo dados apresentados, são 125 ativas, sendo 48 em Ituporanga e 20 em Imbuia .

A soldado Juliana Bezerra explica que as equipes mantêm contato constante com as vítimas: “A gente faz acompanhamento por WhatsApp, orienta e, se necessário, vai até a residência para verificar a situação”, relata.

Além disso, um aplicativo auxilia no atendimento emergencial: “O PMSC Cidadão permite acionar a polícia por um botão de emergência. A localização é enviada automaticamente, e a ocorrência passa a ser prioridade”, explica.

Falta de denúncia ainda é obstáculo

Apesar das ferramentas disponíveis, muitas vítimas ainda deixam de denunciar por medo ou ameaça. Segundo as profissionais, isso agrava o cenário: “Na maioria dos feminicídios, as vítimas não tinham medida protetiva e nem registro de ocorrência”, alertam.

Diante disso, as autoridades reforçam que denunciar é essencial para interromper o ciclo da violência e preservar vidas.

Confira os detalhes na reportagem de Jaciara Oliveira:

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