Agro

Sistema mutualista já pagou R$ 88 milhões em indenizações a produtores de tabaco

Valor refere-se à primeira etapa de pagamentos da safra 2025/2026.

Sistema mutualista já pagou R$ 88 milhões em indenizações a produtores de tabaco Foto: Reprodução Afubra

Os pagamentos de indenizações aos produtores de tabaco atingidos por granizo na safra 2025/2026 já começaram. A primeira etapa foi realizada no dia 24 de fevereiro e somou R$ 88 milhões em auxílios referentes a danos nas lavouras.

A informação foi confirmada por Fabrício Murini, durante entrevista ao programa Bom Dia Sintonia, da Rádio Sintonia FM. Segundo ele, esse primeiro pagamento representa cerca de 38% do total das indenizações contabilizadas até o momento.

Pagamentos seguem ao longo das semanas

De acordo com Murini, os pagamentos seguem um roteiro estabelecido pelo sistema mutualista. Inicialmente são contemplados os produtores com perdas mais severas, além daqueles que já quitaram as ordens de pagamento junto às empresas integradoras.

A previsão é que um novo pagamento seja realizado na terça-feira, 13 de março, no valor aproximado de R$ 35 milhões. Com isso, o montante pago chegará a cerca de R$ 123 milhões, o que representa 51% dos danos apurados até agora nas lavouras.

Auxílios incluem estufas e apoio às famílias

Além das indenizações por perdas nas lavouras, o sistema mutualista também prevê outros tipos de auxílio aos produtores.

Nesta safra, os pagamentos para reconstrução de estufas danificadas já ultrapassam R$ 13 milhões, após inspeções realizadas por técnicos e coordenadores.

Também são concedidos auxílios funerais às famílias de associados falecidos, que já somam mais de R$ 10 milhões nesta safra.

Somando todos os benefícios — danos nas lavouras, reconstrução de estufas e auxílio funeral — o sistema mutualista já contabiliza mais de R$ 260 milhões em pagamentos na safra 2025/2026.

Safra teve mais lavouras atingidas

Em comparação com a safra anterior, houve aumento significativo no número de lavouras afetadas por granizo.

Na safra passada foram 17.694 lavouras atingidas, enquanto na atual safra o número já chega a 24.392 lavouras, um crescimento de 38%.

Segundo Murini, muitos casos registraram perdas severas ou até totais, o que elevou o volume de indenizações aos produtores.

Alto Vale está entre as regiões mais atingidas

Entre as regiões produtoras impactadas pelo granizo, o Alto Vale do Itajaí aparece entre as áreas mais afetadas em Santa Catarina, com destaque para Rio do Sul e Ituporanga.

No Rio Grande do Sul, as regiões de Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires tiveram forte incidência de granizo. Já no Paraná, os maiores registros ocorreram na região de Rio Negro e Ibituva.

Colheita se aproxima do final

Mesmo com a safra avançada, ainda existe risco de novos episódios de granizo. Atualmente, cerca de 93% das lavouras já foram colhidas, enquanto 7% ainda permanecem no campo.

Essas lavouras seguem expostas às condições climáticas e, caso sejam atingidas, também poderão receber auxílio do sistema mutualista.

Comercialização ainda é lenta

Outro ponto destacado é o ritmo da comercialização do tabaco. De acordo com Murini, o processo começou mais tarde nesta safra devido a fatores climáticos.

O inverno mais rigoroso atrasou a produção de mudas e o transplante das lavouras, o que impactou todo o calendário da safra.

Além disso, muitas empresas iniciaram a compra do tabaco apenas em janeiro, o que atrasou o mercado. Atualmente, apenas 8% da produção foi comercializada nos três estados do Sul.

Qualidade da safra é considerada boa

Apesar das dificuldades climáticas e dos danos causados pelo granizo em algumas regiões, a safra é considerada dentro da normalidade em termos de produção.

A qualidade do tabaco do tipo Virgínia é avaliada como muito boa, enquanto o Burley apresentou algumas dificuldades em regiões onde a colheita ocorreu mais cedo.

No geral, a expectativa é de que os produtores consigam bons resultados na comercialização, desde que haja avanço nas negociações com as empresas compradoras.

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