A comercialização da safra de cebola segue em ritmo lento no Alto Vale do Itajaí. Atualmente, cerca de 40% da produção ainda precisa ser vendida, enquanto o preço médio permanece em torno de R$ 1,60 por quilo.
De acordo com o pesquisador da Epagri, Daniel Schmidt, o cenário não gera expectativa imediata de recuperação para os produtores. “Nesse momento, faltando 40% do volume a ser comercializado, a estagnação dos preços em torno de 1,60 não cria grandes expectativas nos produtores”, afirma.
Apesar disso, a qualidade do produto armazenado ainda mantém uma possibilidade de melhora. “A cebola que está armazenada nas propriedades aqui da região é de boa qualidade, então há expectativa de melhora nos próximos dois meses”, explica.
Importação pode influenciar mercado nos próximos meses
Nos próximos meses, o mercado deve ser impactado pela entrada de cebolas importadas. A chegada de produtos da Argentina e do Chile costuma ocorrer entre abril e maio.
Segundo o pesquisador da Epagri, esse movimento pode alterar o comportamento dos preços. “Essas cebolas que entram são de maior qualidade e, em geral, tendem a puxar o preço para cima, melhorando as condições de venda”, relata.
Ainda assim, a concorrência direta também pode pressionar o mercado em determinados períodos, dependendo da oferta e da demanda.
Prejuízo médio pode chegar a R$ 20 mil por hectare
Os custos de produção e o valor de venda acendem um alerta entre os agricultores. Atualmente, o custo para produzir um hectare de cebola varia entre R$ 40 mil e R$ 45 mil.
No entanto, conforme levantamento da Epagri, os produtores têm recebido cerca de R$ 20 mil por hectare. “Significa um prejuízo médio de R$ 20 mil por hectare”, aponta Daniel Schmidt.
Considerando uma área plantada de aproximadamente 20 mil hectares em Santa Catarina, o impacto financeiro pode ser elevado. “Podemos ter um prejuízo total de cerca de R$ 400 milhões no estado”, completa.
Agricultores buscam apoio e políticas públicas
Diante do cenário, produtores têm buscado apoio junto ao poder público. A mobilização ocorre por meio da Associação dos Produtores de Cebola de Santa Catarina.
Conforme o pesquisador da Epagri, reuniões e audiências públicas foram realizadas com a Assembleia Legislativa e a Secretaria de Estado da Agricultura. O objetivo é viabilizar medidas que reduzam os impactos financeiros. “A cebola envolve entre cinco mil e 5.500 famílias em Santa Catarina, a maioria de agricultores familiares”, destaca.
Além disso, cerca de nove a dez municípios do Alto Vale são diretamente afetados pela atividade. A situação se agrava porque a safra anterior também registrou preços baixos. “Não é comum termos duas safras seguidas com preços muito baixos e prejuízo acumulado”, conclui o pesquisador da Epagri.
Foto: Reprodução / Epagri