A safra 2025/2026 do tabaco também apresenta dificuldades na comercialização no Alto Vale do Itajaí. Produtores relatam prejuízos e falta de incentivo para manter a atividade.
Durante fala na Câmara de Vereadores de Ituporanga, o agricultor Ivonezio Heck trouxe um alerta sobre o cenário enfrentado no campo. Ele afirma que a cultura do tabaco sofre com custos elevados e baixa valorização no momento da venda. “Talvez muitos não saibam, mas o produtor de tabaco não tem incentivo nenhum dos órgãos de governo”, afirma.
Custos aumentam e preços não acompanham
Segundo o agricultor, a rentabilidade da atividade vem sendo comprometida ao longo dos anos. Enquanto os custos de produção aumentaram, o valor pago pelo tabaco não acompanhou o mesmo ritmo.
Para exemplificar, Ivonezio compara valores de décadas atrás com os atuais. “Há 30 anos eu vendia minha produção por R$ 35,50. Hoje, para acompanhar os custos, o valor teria que estar próximo de R$ 800 por arroba”, relata.
Diferença na classificação impacta renda do produtor
Outro ponto levantado é a diferença nas tabelas de classificação entre as empresas compradoras. O sistema possui cerca de 40 classes, com variação significativa no preço por quilo.
De acordo com o agricultor, essa diferença interfere diretamente no rendimento final. “Tem empresa pagando R$ 342 em uma classe, enquanto outras pagam R$ 300. É uma diferença grande no valor final”, explica.
Ele também defende uma revisão no sistema de classificação. “Nós precisamos com urgência de uma revisão das classes para equilibrar o mercado”, afirma.
Região pode registrar perdas milionárias
A situação também preocupa pelo impacto econômico regional. Conforme o agricultor, a diferença nas tabelas pode representar perdas significativas para os produtores. “Só essa diferença pode deixar de entrar milhões no bolso dos produtores da região”, alerta.
Além disso, ele destaca que muitos agricultores enfrentam dificuldades até mesmo para cobrir os custos da própria produção.
Produtores pedem políticas públicas e mobilização
Diante do cenário, os produtores defendem a criação de políticas públicas específicas para o setor. Entre as propostas está a padronização das regras de compra entre as empresas.
Ivanésio também sugere a realização de audiências públicas para discutir o tema com autoridades. “Nós precisamos unir forças e buscar soluções para o produtor”, afirma.
A preocupação aumenta com a migração de agricultores para o tabaco, motivada pela crise em outras culturas. Segundo ele, a atividade também enfrenta limitações e não garante a rentabilidade esperada.
Ouça os detalhes com Jean Carlos:
Produtor de tabaco relata prejuízos e cobra políticas públicas para o setor. Foto: Portal Arauto