O Hospital Regional precisou bloquear temporariamente as cesáreas eletivas após enfrentar superlotação na maternidade nos últimos dias. A medida foi adotada na sexta-feira à noite, depois de um pico expressivo no número de partos.
De acordo com o diretor técnico, Dr. Marcelo Gambetta, na quinta-feira foram registrados 14 nascimentos e, na sexta, 15. Em apenas dois dias, foram 29 partos, quase o dobro do mesmo período de 2025.
A maternidade conta com 29 leitos, e as mães permanecem internadas com os recém-nascidos por pelo menos 48 horas. Com esse volume concentrado em curto espaço de tempo, a capacidade ficou praticamente esgotada.
Fechamento de maternidades impacta região
Segundo o diretor, o aumento está relacionado principalmente ao fechamento das maternidades de Taió e Presidente Getúlio, além de limitações na escala do serviço de Ibirama em alguns dias do mês.
Entre quinta-feira e domingo, foram realizados 44 partos. Desses, 11 eram de gestantes da região de Taió, o que representa 25% da demanda do período.
A média diária do hospital em 2025 é de cerca de 7,6 nascimentos por dia. No entanto, nos dias mais críticos, o número praticamente dobrou.
Cesáreas eletivas suspensas até sábado
Diante do cenário, a direção decidiu bloquear as cesáreas eletivas para preservar leitos e garantir atendimento seguro às gestantes em trabalho de parto. As pacientes que tinham procedimentos agendados puderam optar por aguardar a normalização ou buscar outra unidade. Já os partos de urgência continuaram sendo atendidos normalmente.
Durante o pico, gestantes precisaram ser internadas em outros setores do hospital, como pediatria e clínica privada. Em determinado momento, a unidade chegou a ficar sem berços disponíveis para recém-nascidos. A Central de Regulação e o SAMU foram acionados para auxiliar no redirecionamento de pacientes.
Com a redução da demanda no sábado e no domingo, a situação começou a se estabilizar. A partir de sábado, as cesáreas eletivas voltaram a ser liberadas, e nesta semana o hospital opera dentro da normalidade.
Alerta para próximos meses
A direção agora deve iniciar tratativas com gestores regionais e autoridades sanitárias para discutir alternativas que evitem novos episódios de superlotação.
Segundo o diretor técnico, a estrutura física da maternidade é limitada e não pode ser ampliada de forma imediata. A preocupação é garantir segurança para mães e recém-nascidos diante de uma demanda que pode continuar elevada nos próximos meses.
Ouça a reportagem de Vanessa Montibeller:
Hospital Regional Alto Vale em Rio do Sul. Foto: Reprodução / Site HRAV