O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresentou, nesta segunda-feira (30), um levantamento que expõe o cenário da violência contra a mulher no estado. O mapa do feminicídio reúne dados da segurança pública e do Judiciário e indica maior risco fora dos grandes centros.
A taxa média estadual é de 1,71 feminicídio para cada 100 mil mulheres. No entanto, Florianópolis registra índice de 1,04, enquanto Caçador chega a 2,75 e Lages a 2,56. Além disso, o estudo aponta que o feminicídio ocorre, na maioria dos casos, após uma sequência de violências já registradas.
Histórico de violência e ausência de proteção
De acordo com o levantamento, quase 69% das vítimas tinham histórico de agressões anteriores. Mesmo assim, 73% não possuíam medida protetiva no momento do crime. Nesse contexto, a procuradora-geral de Justiça, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, afirma que os dados precisam ser utilizados na prática:
“O mapa do feminicídio, como esse parado, estático no nosso site, ele é um nada. Nós queremos transformar esse mapa numa ferramenta, não só do Ministério Público, mas de todos os poderes”, declarou. O mapeamento aponta que 71% dos crimes são feminicídios íntimos, ou seja, cometidos por parceiros ou ex-parceiros das vítimas. Com isso, o estudo confirma a recorrência da violência dentro do ambiente doméstico.
Interiorização da violência preocupa autoridades
A coordenadora do Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, promotora de Justiça Chimelly Marcon, chama atenção para a distribuição geográfica dos casos: “As taxas mais altas do estado estão concentradas em dois corredores, um no Oeste e outro no Planalto Serrano”, explicou.
Segundo ela, esse cenário levanta questionamentos sobre a estrutura de proteção disponível nessas regiões: “Esse fenômeno nos chama atenção, porque podemos pensar sobre a suficiência dos equipamentos de proteção nessas localidades”, afirmou.
Perfil das vítimas revela vulnerabilidade social
O estudo também aponta que a violência atinge principalmente mulheres em situação de vulnerabilidade social. Entre os fatores estão baixa renda, vínculos de trabalho instáveis e responsabilidade pelos filhos.
Para a promotora, esse recorte exige políticas públicas direcionadas: “Percebemos que esse fenômeno atinge mais agudamente mulheres pobres, com vínculos precarizados e com filhos”, disse.
Pacto busca ações integradas no estado
Diante dos dados, o Ministério Público formalizou um protocolo de intenções com o Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas e a Assembleia Legislativa.
A iniciativa busca ampliar a cooperação entre os órgãos para desenvolver políticas de enfrentamento ao feminicídio em Santa Catarina. Assim, a proposta é utilizar o mapa como base para ações integradas em todo o estado.
Acompanhe os detalhes com Carol Denardi da Rede de Notícias Acaert:
Mapa Feminicídio. Foto: Reprodução / Site MPSC (Mapa do Feminicídio)