Ituporanga completa, neste sábado, dia 14, 77 anos de emancipação político-administrativa. No entanto, a história da cidade começou muito antes. Entre as famílias pioneiras está a de Mathias Gil Sens, cuja trajetória se confunde com o próprio desenvolvimento do município.
O bisneto do pioneiro, José Fernando Sens, de 78 anos, acompanhou boa parte da evolução da cidade e relembra fatos que ajudam a compreender as origens de bairros, tradições e lendas locais.
Colonização e primeiras moradias em Ituporanga
Segundo José, o bisavô Mathias Gil Sens chegou à região por volta de 1912, acompanhado dos filhos. A família se estabeleceu nas proximidades da foz do Rio Gabiroba com o Rio Itajaí-Açu.
“Meu avô morou por muito tempo num carroção puxado por oito cavalos. Aquela era a casa deles”, conta. Conforme o relato, muitas das primeiras construções se concentraram no fim da atual Rua Presidente Nereu, onde existia uma balsa para travessia do rio.
Ele também lembra que a principal estrada da cidade passava pelo meio da antiga fábrica de papel Águas Negras S.A. “A rua continuava reta e cortava literalmente a fábrica”, afirma.
Freguesia de Baixo e divisões históricas
Uma das áreas mais conhecidas da época era a chamada Freguesia de Baixo. O local reunia moradores ligados à fábrica de papel e, em sua maioria, integrantes da comunidade evangélica. “Existia uma distância grande entre católicos e evangélicos. A parte de cima era mais católica e a parte de baixo era mais evangélica”, relata José.
Ele recorda que dois salões de baile marcaram a vida social da época: o Salão do Pote, na Freguesia de Baixo, e o Salão 7 de Setembro, localizado onde hoje está uma agência bancária.
América, Moitas e o esporte em Ituporanga
No esporte, José acompanhou momentos que ficaram na memória da cidade. Ele lembra de uma partida em que o América venceu o Figueirense por 2 a 1, no campo onde hoje está o Parque da Cidade. “Eu era piá ainda, mas me lembro desse jogo”, afirma.
Já o Moitas surgiu oficialmente em 1975, quando passou a registrar atletas em federação para disputar competições como os Jogos Abertos. “A história real do Moitas começa em 75”, explica.
Lendas da Casa Sens e antigas enchentes
A antiga casa da família Sens, construída em 1933, também gerou histórias ao longo do tempo. José esclarece que parte das lendas envolvia um pequeno porão utilizado como espécie de geladeira natural. “Embaixo da terra era mais fresco, então servia como geladeira”, diz.
Ele também relata que um paiol próximo ao rio chegou a funcionar como prisão improvisada. Além disso, menciona registros de grandes enchentes anteriores à histórica cheia de 1983. “Meu pai contava que já tinha acontecido uma grande enchente por volta de 1911”, relata.
Festa da Cebola e crescimento da cidade
José lembra que a primeira Festa da Cebola ocorreu no salão paroquial da igreja. Posteriormente, o evento foi realizado no ginásio João Carlos Thiesen e, depois, no parque construído especialmente para sediar a festa. “Eu me recordo da primeira festa da cebola na igreja. Depois foi evoluindo”, afirma.
Ao completar 77 anos, Ituporanga mantém como bases econômicas o agronegócio e o turismo. A cidade, que nasceu como Salto Grande, carrega histórias de pioneirismo, enchentes, festas e disputas esportivas que ajudam a construir sua identidade.
Confira a reportagem de Jean Carlos.
Vista panorâmica de Ituporanga. Foto: Franciel Andrade / Sintonia FM