Alto Vale

Indústrias de Agrolândia enfrentam falta de mão de obra e dificuldades no transporte de máquinas

Presidente da Associação Empresarial aponta força do setor metalomecânico e cobra melhorias na BR-470 e na ligação com Otacílio Costa.

Indústrias de Agrolândia enfrentam falta de mão de obra e dificuldades no transporte de máquinas Fábrica de caldeiras do município de Agrolândia. Foto: Reprodução / Intab

O setor metalomecânico está entre as principais atividades econômicas de Agrolândia e Atalanta, no Alto Vale do Itajaí. Apesar da presença de indústrias que exportam produtos para diferentes países, as empresas da região enfrentam dificuldades relacionadas à falta de mão de obra, à qualificação profissional e à infraestrutura necessária para o transporte de máquinas e equipamentos.

Em entrevista à Rádio Sintonia, o presidente da Associação Empresarial de Agrolândia (AEA), Ricardo Rodrigues, explicou que o crescimento das indústrias metalomecânicas também impulsionou a abertura e a expansão de empresas menores, responsáveis por prestar serviços às grandes fabricantes.

Além disso, a entidade acompanha as discussões sobre a duplicação e a possível concessão da BR-470, defendendo melhorias na rodovia, mas questionando o modelo de cobrança de pedágio apresentado.

Setor metalomecânico movimenta empresas de diferentes portes

Segundo Ricardo Rodrigues, a indústria metalomecânica e o setor têxtil estão entre os segmentos de maior presença em Agrolândia e Atalanta. A região também possui atividades ligadas à produção de alimentos, frigoríficos e indústria de papel. Entretanto, o setor metalomecânico concentra parte importante da atividade industrial.

O presidente explica que essa característica está relacionada à presença de empresas que atuam há décadas no município e ampliaram seus mercados ao longo do tempo. Algumas dessas indústrias, conforme Ricardo, exportam máquinas e equipamentos para diferentes países.

O crescimento também abriu oportunidades para empresas menores, que passaram a executar etapas da produção por meio da terceirização. “Você tem uma indústria grande que terceiriza para várias empresas menores serviços de solda, usinagem, montagem e estruturas. É nesse sentido que acaba tendo um fortalecimento do segmento”, explicou.

Dessa forma, a atividade industrial movimenta uma rede de fornecedores e prestadores de serviços, ampliando a participação de diferentes negócios na economia local.

Falta de mão de obra preocupa empresários

Apesar da presença industrial, a disponibilidade de trabalhadores é apontada como um dos principais desafios para o crescimento das empresas.

Segundo Ricardo, a dificuldade envolve tanto a contratação de profissionais quanto a falta de qualificação para determinadas funções. “A falta de mão de obra vai ser cada vez mais complicada. Quando você tem a mão de obra, às vezes também não tem ela qualificada”, afirmou.

Para enfrentar parte desse problema, a Associação Empresarial de Agrolândia desenvolve ações de capacitação profissional. Entre as iniciativas já realizadas estão cursos de soldagem e outras atividades voltadas às necessidades das indústrias.

O presidente também citou a carga tributária como uma dificuldade para os empresários, especialmente para aqueles que pretendem ampliar suas atividades.

Transporte de grandes máquinas enfrenta gargalos em Agrolândia

Outro problema apontado pela Associação Empresarial está relacionado à infraestrutura rodoviária. Conforme Ricardo, indústrias de Agrolândia produzem equipamentos de grandes dimensões que precisam ser transportados até a BR-470 para seguir aos seus destinos.

No entanto, o trajeto apresenta limitações, principalmente na área central do município, onde pontes e curvas dificultam a passagem de cargas maiores. “Às vezes, quando vai passar uma caldeira ou um queimador grande, o trânsito fica todo parado por falta de espaço para conseguir transportar esse equipamento até a BR-470”, relatou.

A situação, segundo o presidente, interfere na logística das empresas e pode dificultar o escoamento da produção industrial.

Associação defende ligação asfáltica entre Agrolândia e Otacílio Costa

Entre as obras consideradas importantes para o setor produtivo está a ligação asfáltica entre Agrolândia e Otacílio Costa, na Serra Catarinense. De acordo com Ricardo Rodrigues, a melhoria permitiria criar uma alternativa para o transporte de máquinas e equipamentos fabricados na região.

A Associação Empresarial também defende a duplicação da BR-470, considerada uma das principais rotas de escoamento da produção do Alto Vale do Itajaí. As duas demandas fazem parte das discussões acompanhadas pela entidade junto ao poder público.

Entidade questiona modelo de pedágio previsto para a BR-470

Além das obras de infraestrutura, a Associação Empresarial de Agrolândia acompanha as discussões sobre a concessão da BR-470 e a possibilidade de cobrança de pedágio. Ricardo Rodrigues afirmou que a entidade é favorável à melhoria e à duplicação da rodovia, mas apresentou ressalvas ao modelo de concessão discutido.

Segundo ele, é necessário garantir transparência sobre os valores que poderão ser cobrados, os critérios de reajuste e os prazos para execução das melhorias. “Nós somos a favor de melhorias e duplicação da BR-470. Agora, a gente se posicionou contra o modelo que estava sendo apresentado”, declarou.

O presidente argumenta que a cobrança de pedágio precisa estar vinculada à oferta de uma rodovia com melhores condições de segurança e trafegabilidade.

Ele também considera necessário esclarecer à população como funcionariam os reajustes tarifários ao longo do contrato. A associação acompanha o assunto em conjunto com a federação empresarial, por meio do programa Voz Única, que reúne demandas do setor produtivo.

Para Ricardo, os investimentos em infraestrutura, a qualificação profissional e a melhoria das condições para empreender são fundamentais para permitir a expansão das indústrias de Agrolândia e Atalanta.

Ouça a reportagem de Jean Carlos: 

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