O governador Jorginho Mello sancionou nesta quinta-feira (05) a lei que permite a classificação das folhas de fumo diretamente nas propriedades rurais em Santa Catarina. Até então, o processo era realizado exclusivamente nas indústrias compradoras.
A proposta é de autoria do deputado estadual Sargento Lima (PL) e tem como objetivo dar mais equilíbrio nas negociações entre produtores e empresas do setor.
Mais poder de negociação ao produtor
Com a nova legislação, os agricultores poderão acompanhar a classificação do produto ainda na propriedade, antes do envio à indústria. A mudança busca evitar situações em que o produtor se vê obrigado a aceitar valores inferiores aos esperados.
Isso porque, no modelo tradicional, os produtores levavam os fardos de fumo até as empresas e, caso discordassem da classificação e do preço estabelecido, muitas vezes não tinham margem para negociação. O custo de transportar novamente a carga até outra empresa acabava inviabilizando a tentativa de venda para outra indústria.
Proposta surgiu de reclamações dos agricultores
O projeto que originou a lei foi apresentado após diversas reclamações de produtores rurais, que relataram dificuldades no momento de negociar o preço do tabaco.
Segundo o deputado Sargento Lima, a iniciativa busca equilibrar a relação entre os dois lados da cadeia produtiva.
“O produtor de tabaco trabalha o ano inteiro para garantir a lavoura, faz investimentos e assume os riscos da atividade. No entanto, muitas vezes acaba sendo a parte mais fraca na negociação”, afirmou o parlamentar.
Importância do setor em Santa Catarina
Santa Catarina é responsável por cerca de 20% da produção nacional de tabaco, envolvendo aproximadamente 55 mil famílias produtoras.
A região Sul do Brasil concentra 97% da produção brasileira, tornando o setor uma das principais atividades agrícolas da região.
Entre a apresentação da proposta na Assembleia Legislativa e a sanção da lei pelo governo estadual se passaram três anos. A expectativa agora é que a nova regra traga mais transparência e equilíbrio nas negociações entre produtores e indústrias.
Foto: Reprodução / Youtube Vale Agrícola