O brasileiro consome apenas cerca de 120 gramas de hortaliças por dia, o equivalente a um terço do mínimo recomendado por órgãos de saúde. O dado foi apresentado durante o Seminário Nacional e do Mercosul da Cebola, realizado em Ituporanga.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Horticultura, Warley Nascimento, o ideal seria entre 400 e 450 gramas diárias. No entanto, o consumo segue abaixo do recomendado, o que levanta preocupações em diferentes áreas.
Consumo de hortaliças no Brasil preocupa especialistas
De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Horticultura, Warley Nascimento, o cenário atual representa um desafio para a pesquisa e para o setor produtivo: “A população tem consumido uma porção bem abaixo daquela preconizada pela Organização Mundial da Saúde”, afirma.
Além disso, ele explica que o consumo reduzido ocorre principalmente em populações com menor poder aquisitivo. Nesse contexto, fatores culturais e de acesso também influenciam diretamente. O consumo abaixo do recomendado pode gerar consequências à saúde.
Segundo Warley Nascimento, a alimentação com menor presença de hortaliças está associada a doenças crônicas: “Esse baixo consumo traz consequências como diabetes, hipertensão, obesidade e outras doenças”, relata. Além disso, ele destaca que esses alimentos são fontes de vitaminas, minerais, fibras e compostos antioxidantes. Portanto, a ingestão adequada contribui para a prevenção de doenças e para o funcionamento do organismo.
Hábitos alimentares e acesso dificultam consumo
Outro ponto levantado durante a entrevista envolve mudanças nos hábitos da população. De acordo com o pesquisador, a rotina acelerada tem influenciado escolhas alimentares: “As pessoas não almoçam mais em casa e acabam optando por alimentos ultraprocessados”, explica.
Além disso, o preço de algumas hortaliças e a dificuldade de acesso em determinadas regiões também limitam o consumo.
Impactos na produção agrícola e economia
O baixo consumo também afeta diretamente a cadeia produtiva. Segundo Warley Nascimento, a redução na demanda impacta produtores e outros setores ligados à agricultura: “O produtor vende menos, o comércio de insumos vende menos e toda a cadeia é afetada”, afirma.
Por fim, ele aponta que o aumento do consumo poderia ampliar a produção e reduzir a necessidade de importações. Dessa forma, haveria impacto direto na economia e no desenvolvimento do setor agrícola.
Ouça a reportagem de Berta Thiesen:
Foto: Reprodução / Magda Ehlers no Site Pexels