A crise enfrentada pelos produtores de cebola em Santa Catarina mobilizou entidades empresariais do Alto Vale do Itajaí. A Associação Empresarial de Ituporanga (ACEI), em conjunto com a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC), encaminhou um ofício ao governador Jorginho Mello solicitando medidas emergenciais para apoiar o setor.
Entre as principais reivindicações estão a criação de linhas de crédito específicas para os produtores, a prorrogação de financiamentos agrícolas e ações que ajudem a reduzir a importação de cebola durante o período de safra local.
Preocupação com a economia regional
Segundo o presidente da ACEI, Jean Padilha, a situação é preocupante porque a produção de cebola representa uma das bases econômicas do Alto Vale.
De acordo com ele, muitos produtores estão vendendo a produção abaixo do custo, o que tem gerado prejuízos e insegurança para milhares de famílias que dependem da atividade.
Jean destaca ainda que a cadeia produtiva da cebola tem grande impacto em municípios como Ituporanga e região, sendo responsável por sustentar boa parte da economia regional.
Produtividade alta, mas preços baixos
A preocupação também é compartilhada por produtores da região. O agricultor e associado da ACI, Laudir Schäffer, afirma que a safra apresentou boa produtividade, mas o valor pago ao produtor está muito abaixo do esperado.
Segundo ele, a produção média ficou entre 40 e 50 toneladas por hectare. No entanto, durante o processo de classificação, os produtores registraram perdas entre 20% e 25%, reduzindo o volume comercializado.
Além disso, o preço pago ao agricultor até o final de fevereiro variou entre R$ 0,65 e R$ 0,80 por quilo, valor considerado insuficiente para cobrir os custos de produção.
Prejuízo pode chegar a R$ 20 mil por hectare
Os custos de produção da cebola nesta safra ficaram entre R$ 45 mil e R$ 53 mil por hectare, considerando investimentos em insumos, mão de obra e arrendamento de terras.
Com os preços atuais, muitos agricultores estão fechando a safra com prejuízos que variam entre R$ 12 mil e R$ 20 mil por hectare.
Segundo Laudri Schäffer, a situação se agrava porque muitos produtores já haviam enfrentado dificuldades na safra anterior e decidiram ampliar o plantio nesta temporada na tentativa de recuperar as perdas.
No entanto, o aumento dos investimentos e os baixos preços de comercialização acabaram resultando em um cenário ainda mais difícil para o agricultor.
Expectativa por apoio do Estado
Diante do cenário, as entidades empresariais defendem que o governo estadual avalie medidas emergenciais para apoiar os produtores e preservar a cadeia produtiva da cebola em Santa Catarina.
A expectativa é que ações como crédito rural diferenciado, prorrogação de dívidas e políticas para equilibrar o mercado possam ajudar o setor a atravessar o momento de dificuldade.
Acompanhe com Jean Carlos:
ACEI e FACISC pedem medidas emergenciais diante da crise da cebola. Foto: Marcelo Calazans