Fevereiro é marcado pela conscientização sobre a doença de Alzheimer, período dedicado a ampliar a informação, combater o preconceito e orientar a população sobre sinais, diagnóstico e formas de prevenção. Em entrevista à Rádio Sintonia, o médico Jhonny Levino explicou como a doença evolui e impacta milhares de famílias no Brasil.
Segundo o especialista, o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que evolui com demência e, em média, leva cerca de 10 anos entre o diagnóstico e o óbito do paciente. Atualmente, são registrados aproximadamente 100 mil novos casos por ano no país. A maior incidência ocorre a partir dos 65 anos.
Perda de memória é o primeiro sinal
O Alzheimer é a principal causa de demência no Brasil e compromete de forma progressiva as funções cognitivas. A demência é caracterizada pela perda dessas funções associada ao prejuízo na qualidade de vida.
Conforme o médico, o sintoma mais comum e geralmente o primeiro a aparecer é a perda da memória recente. O paciente passa a esquecer fatos ocorridos horas antes ou no dia anterior. Com a progressão da doença, a perda se torna mais ampla.
Em estágios mais avançados, o paciente pode deixar de reconhecer familiares, ter dificuldade para retornar para casa e perder a capacidade de julgamento. Há casos em que a pessoa não consegue avaliar situações de risco. Posteriormente, surgem dificuldades na fala, na deglutição e até na respiração, quando o quadro já se encontra em fase terminal.
Doença ainda não tem cura
Apesar dos avanços da medicina, o Alzheimer não tem cura. O tratamento disponível busca retardar a progressão da doença e preservar os neurônios.
De acordo com Jhonny Levino, o Alzheimer é causado principalmente pelo acúmulo das proteínas tau e beta-amiloide no cérebro. Esse acúmulo provoca atrofia no hipocampo, região responsável pela memória, o que explica os sintomas iniciais.
As medicações utilizadas têm como objetivo preservar os neurônios e desacelerar a evolução do quadro clínico.
Fator genético e avanço com a idade
Uma dúvida frequente diz respeito à hereditariedade. Conforme o especialista, o risco genético é maior quando o diagnóstico ocorre antes dos 65 anos, caso classificado como Alzheimer precoce.
Após essa idade, o fator genético perde força como principal causa. A prevalência da doença tende a dobrar a cada cinco anos com o avanço da idade, o que explica o aumento expressivo de casos entre idosos.
Hábitos podem ajudar na prevenção
Embora não exista forma garantida de evitar o Alzheimer, alguns hábitos podem contribuir para reduzir o risco ou retardar os sintomas.
Entre as orientações estão a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e estímulos constantes ao cérebro, como a leitura. Pequenas mudanças na rotina, como variar o caminho habitual até o trabalho ou para casa, também ajudam a exercitar a mente.
Durante a entrevista, o médico relatou ainda uma experiência marcante vivida na época da faculdade. Ao cantar uma música que uma paciente com Alzheimer avançado gostava quando lúcida, os olhos da idosa lacrimejaram, mesmo já sem conseguir falar ou se alimentar sozinha. O episódio reforça que, mesmo nos estágios mais graves, estímulos emocionais podem gerar respostas.
A orientação é que familiares estejam atentos aos primeiros sinais, pois o diagnóstico precoce faz diferença no acompanhamento e na qualidade de vida do paciente.
Acompanhe os detalhes na reportagem especial de Jean Carlos:
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