As negociações do preço mínimo do tabaco para a safra 2025/2026 avançaram parcialmente. O presidente da Afubra, Marcilio Drescher, confirmou que, após uma série de reuniões em janeiro e fevereiro, apenas uma empresa firmou acordo com a comissão representativa dos fumicultores.
Os encontros ocorreram nos dias 19 e 20 de janeiro, mas, segundo Drescher, não houve avanço porque as empresas não apresentaram propostas consideradas adequadas. Novas reuniões foram realizadas nos dias 9 e 13 de fevereiro, quando parte das indústrias formalizou índices de reajuste.
Conforme o presidente, algumas empresas apresentaram propostas de reajuste entre 6% e 7,2% sobre a tabela anterior. No entanto, a comissão avaliou que os índices ficaram abaixo do necessário para repor o custo de produção e garantir margem ao produtor.
Entre as propostas apresentadas: Philip Morris Brasil: reajuste de 6,75%; China Brasil Tabacos: reajuste de 7,2%; Universal Leaf Tabacos: 6% para Virgínia e 4% para Burley; Alliance One: 6% para Virgínia e Burley.
Ainda segundo Drescher, a CTA também participou das reuniões, mas apresentou índice considerado muito abaixo do ideal.
No caso da BAT Brasil, além do percentual inferior ao esperado, houve proposta de reajuste diferenciado por classes de tabaco, o que, na avaliação da comissão, traria insegurança ao produtor, especialmente neste momento de comercialização.
O único acordo formalizado até o momento foi com a JTI. Após nova rodada de negociação, foi assinado protocolo prevendo reajuste de 7,06% para o tabaco Virgínia e 6,56% para o Burley.
De acordo com Marcílio Drescher, a assinatura do protocolo traz segurança jurídica e comercial ao produtor, pois estabelece uma tabela oficial mínima reconhecida tanto pela representação dos fumicultores quanto pela empresa.
O presidente da Afubra ressalta que a tabela acordada representa um valor mínimo. Isso significa que as empresas podem pagar acima do estabelecido, caso haja qualidade superior ou política interna de valorização.
Além disso, a existência de protocolo formal serve como base para negociações futuras e garante maior estabilidade à cadeia produtiva.
Conforme Drescher, em anos de classificação mais rigorosa ou menor demanda, a vigência de uma tabela oficial é fundamental para proteger a renda do produtor.
A comissão representativa informou que não pretende convocar novas rodadas de negociação, mas permanece aberta caso as empresas que ainda não avançaram decidam apresentar propostas mais alinhadas ao custo de produção.
Tabaco na roça. Foto: Berta Thiesen / Sintonia FM