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Trotes ao SAMU caem 4,6% em Santa Catarina, mas ainda somam mais de 6.500 ligações em 2025

Balanço aponta redução das chamadas indevidas, porém alerta para impactos no tempo de resposta e risco à vida

Trotes ao SAMU caem 4,6% em Santa Catarina, mas ainda somam mais de 6.500 ligações em 2025 Atendimento telefônico na central do SAMU. Foto: Reprodução / Secom - GovSC

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Santa Catarina (SAMU) registrou mais de 6.500 ligações indevidas ao longo de 2025. Apesar disso, o número representa uma redução de 4,6% em comparação com o ano anterior. Ao todo, o serviço recebeu mais de 914 mil ligações no período, sendo que os trotes correspondem a 0,7% do total, o equivalente a uma ligação falsa a cada 142 atendimentos.

Redução de trotes e reflexos no atendimento de emergência

Segundo o gerente de enfermagem do SAMU de Santa Catarina, Diego Vieira, a diminuição das ocorrências indica um avanço, mas ainda exige atenção. “Cada ligação indevida ocupa um profissional e recursos que poderiam estar salvando vidas. Por isso, o SAMU em Santa Catarina trabalha de forma contínua para garantir que as linhas de emergência estejam disponíveis para quem realmente precisa”, afirmou.

Ainda de acordo com ele, a redução de 4,6% tem impacto direto na segurança e na eficiência do atendimento prestado à população catarinense. “Realizar um trote não é educativo. A gente atua junto com outras entidades para que isso se reduza cada vez mais e para que a população entenda a importância do serviço do SAMU para a saúde pública”, completou.

Vale do Itajaí lidera número de ligações indevidas

Entre as macrorregiões do estado, o Vale do Itajaí concentrou o maior número de trotes em 2025, com cerca de 1.700 registros. Já o menor volume ocorreu no Meio-Oeste, onde foram contabilizadas 145 ligações indevidas ao longo do ano.

Para Diego Vieira, o impacto dessas chamadas vai além dos números. “Os trotes interferem diretamente no tempo de resposta e podem atrasar o socorro em situações graves. Uma ambulância deslocada para uma ocorrência inexistente deixa de atender um caso real”, alertou.

Trotes podem resultar em mortes e têm punição prevista em lei

O gerente de enfermagem ressaltou que o uso inadequado do serviço pode trazer consequências irreversíveis. “Se ocorre uma parada cardiorrespiratória e a ambulância está atendendo uma ocorrência fictícia, ela não consegue chegar a tempo. Isso pode, sim, resultar em óbito”, explicou. Segundo ele, algumas ligações são tão bem elaboradas que acabam enganando a central de regulação, o que agrava ainda mais o problema.

A legislação brasileira prevê punições para esse tipo de prática. O Código Penal considera crime perturbar serviço de utilidade pública, com pena de detenção de um a seis meses, além de multa. No caso de menores de idade, o Estatuto da Criança e do Adolescente classifica o trote como ato infracional gravíssimo, sujeito à aplicação de medidas socioeducativas.

A orientação do SAMU é clara: utilizar o número de emergência apenas em situações reais, contribuindo para um atendimento mais ágil e seguro a quem precisa.

Ouça a reportagem de Kadu Reis: 

 

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