Nós pagamos pelo WhatsApp há anos. Só não era com dinheiro.
Pagamos com tempo, atenção, dados, hábitos e dependência. Acordamos e olhamos o WhatsApp. Trabalhamos pelo WhatsApp. Vendemos pelo WhatsApp. Marcamos consultas, recebemos boletos, falamos com a família e resolvemos problemas. Quando o aplicativo fica fora do ar por alguns minutos, parece que uma parte da rotina entra em colapso.
Por isso, a pergunta incomoda: se amanhã o WhatsApp custasse R$ 20 por mês, você pagaria?
Nos últimos dias, voltou a ganhar força o assunto sobre versões pagas de aplicativos da Meta, empresa dona do WhatsApp, Instagram e Facebook. Mas antes que alguém avise no grupo da família que “o zap vai ser cobrado”, calma.
Não é isso. A meta (dona do whatsapp, instagram e facebook) anunciou planos que partem de US$ 2,99/mês podendo chegar próximo dos R$ 20,00 com impostos e conversão em Real.
O WhatsApp gratuito não acabou. O Instagram gratuito também não. É assinatura para algumas funções exclusivas como personalizar o chat ou fixar até 20 conversas.
E é aí que está o ponto. Esse movimento não acontece por acaso, existe uma lógica simples nisso: quando um serviço vira essencial na vida das pessoas, ele passa a ter valor de assinatura.
Pense no WhatsApp. Quantas empresas pequenas venderiam menos se ficassem uma semana sem ele? Quantos profissionais perderiam contatos? Muita gente ainda chama de rede social, mas para muitos negócios ele virou vitrine, catálogo, atendimento e fonte de clientes, isso que nem estamos citando o instagram que também “sustenta” muitos negócios online.
Quando uma ferramenta deixa de ser entretenimento e vira infraestrutura, o jogo muda. Talvez esse seja o verdadeiro alerta: nós não usamos mais esses aplicativos apenas porque gostamos. Usamos porque precisamos.
E quando uma empresa controla boa parte da nossa comunicação, da nossa visibilidade e da nossa relação com clientes, surge uma pergunta incômoda: até que ponto somos usuários? E até que ponto somos dependentes?
Coluna de Gean Carlos Antunes, especialista em marketing.
WhatsApp. Foto: Imagem Ilustrativa gerada por IA.