A Epagri desenvolve, em Ituporanga, a primeira variedade híbrida de cebola da história da instituição. O trabalho ocorre na Estação Experimental da Epagri, na Capital Nacional da Cebola, e busca oferecer ao produtor uma cultivar mais produtiva, uniforme e adaptada às condições de Santa Catarina.
A expectativa é que o último teste a campo ocorra neste ano. Caso os resultados confirmem o desempenho observado em anos anteriores, a Epagri deve iniciar o processo de registro da cultivar em 2027, etapa necessária para que o material chegue ao mercado.
Segundo o engenheiro agrônomo da Epagri, Daniel Pedroza Alves, o objetivo é entregar ao cebolicultor catarinense uma variedade com boa produtividade e adaptação regional: “Esse novo cultivar segue nessa linha para o cebolicultor catarinense: uma cebola produtiva e adaptada à nossa região. Só que tem uma particularidade, esse é um cultivar híbrido”, explicou.
Primeira cebola híbrida da Epagri nasce em Ituporanga
Desde 1932, a Epagri trabalha com o lançamento de variedades de cebola por meio do melhoramento genético. Até agora, no entanto, as cultivares disponibilizadas pela instituição eram de polinização aberta, conhecidas como OP. De acordo com Daniel, a diferença está na uniformidade genética.
Nas cultivares OP, as plantas formam uma população com características semelhantes, mas não são geneticamente iguais: “Até então, todos os cultivares que a Epagri disponibilizou no mercado são cultivares de polinização aberta. É uma grande população com uniformidade adequada para cultivo, mas sem uniformidade genética”, afirmou.
Já no caso da cultivar híbrida, as plantas apresentam maior semelhança genética entre si. Por isso, a lavoura tende a ter mais uniformidade.
Cebola híbrida pode ampliar produtividade no campo
A nova variedade entra em uma linha de pesquisa que busca mais produtividade, padronização e facilidade no manejo da lavoura. Conforme Daniel, os resultados obtidos até agora indicam produtividade de 10% a 20% superior na comparação com cultivares OP.
Além disso, a uniformidade pode auxiliar o agricultor no controle da lavoura e na organização da produção. No entanto, o desenvolvimento de uma cebola híbrida exige um processo mais complexo: “Inicialmente, a gente precisa identificar plantas muito específicas. Plantas que têm uma genética muito específica. A gente acabou fazendo isso com análise de DNA”, explicou o engenheiro agrônomo.
Segundo ele, os pesquisadores precisam cruzar plantas com características genéticas determinadas. Uma parte do trabalho envolve identificar plantas que não produzem pólen e outras que combinem geneticamente com elas: “A gente acaba cruzando duas plantas que têm uma pureza genética muito elevada. Trabalhamos com uma pureza de pelo menos 94%”, afirmou.
Último teste a campo deve ocorrer neste ano
A semeadura para o último teste a campo terminou recentemente. Agora, a equipe da Epagri acompanha o desenvolvimento das plantas para avaliar se a cultivar mantém o desempenho registrado em ciclos anteriores. Caso os resultados sejam confirmados, o processo de registro deve começar em 2027. Essa etapa permite que a variedade seja regularizada e, posteriormente, disponibilizada ao mercado.
Daniel explica que o diferencial do material está na base genética usada pela Epagri. A nova híbrida foi desenvolvida a partir de cultivares OP já adaptadas à realidade catarinense: “O nosso híbrido tem como diferencial a base genética vinda dos nossos cultivares OPs. Então, é um material em que os pais já são adaptados e o híbrido também é adaptado à nossa condição ambiental”, disse.
Mercado catarinense ainda usa maioria de cultivares OP
Atualmente, a maior parte das lavouras de cebola em Santa Catarina usa cultivares de polinização aberta. Segundo Daniel, a estimativa é que cerca de 95% do mercado catarinense ainda plante OPs. Os híbridos ocupam uma fatia menor e, em alguns casos, enfrentam dificuldades em anos com maior pressão de doenças foliares. Essas doenças podem surgir com mais intensidade em condições ambientais favoráveis a fungos e outros organismos: “Dentro desses 5% plantados com híbridos, os melhores ainda sofrem com doenças, sobretudo doenças foliares”, explicou.
De acordo com o engenheiro agrônomo, a híbrida desenvolvida pela Epagri busca manter desempenho em anos com condições ambientais distintas: “Em anos bons, esse híbrido permite ao agricultor atingir melhores produtividades que os OPs. Em anos ruins, ele não entrega produtividade pior que o OP”, afirmou. Com isso, a primeira variedade híbrida de cebola da Epagri pode representar uma nova etapa para a cebolicultura catarinense, especialmente no Alto Vale do Itajaí.
Confira os detalhes na reportagem de Jean Carlos:
Últimos testes são realizados com variedade antes de ir para o mercado. Foto: Reprodução / Epagri