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Sintonia 44 anos: o menino dos chinelos trocados que construiu história junto com o rádio

Luiz Carlos Broering é o funcionário mais antigo da Sintonia e relembra o começo autêntico na emissora.

Sintonia 44 anos: o menino dos chinelos trocados que construiu história junto com o rádio Luiz Carlos Broering. Foto: Arquivo / Sintonia FM

A trajetória do gerente comercial Luiz Carlos Broering se confunde com a história da Rádio Sintonia FM. Aos 60 anos, ele acumula 44 anos de atuação na emissora, onde começou ainda adolescente, dobrando exemplares do jornal A Região, que mais tarde originaria a rádio. “Eu nunca sonhei em trabalhar no rádio. Mas sempre buscava uma oportunidade. Quando surgiu a chance de ser operador, fui correndo”, conta.

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Os chinelos trocados

Luiz conta que, um dia, o telefone de sua casa tocou e, ao atender, sua vida mudou: um convite para ser operador de áudio na rádio que abriria na cidade brilhou os olhos. Estava tão ansioso para a entrevista de emprego, que ele nem prestou atenção nos calçados que colocara.

“Eu tinha um chinelo amarelo e eu acho que um azul. Eu em vez de pegar o par certo, peguei um de cada cor. E aquilo me deixou tão envergonhado, que eu meio que escondia os pés”, ele conta sorrindo ao lembrar.

 

A primeira transmissão a quatro fios

O começo foi desafiador. Luiz integrou a equipe técnica em um período em que transmissões externas envolviam metros de fios e improvisos. Um dos marcos de sua carreira foi a primeira transmissão a quatro fios em Ituporanga, que permitia comunicação entre a cabine e a equipe no ginásio.

Parecia ser aquelas telefônicas de antigamente, espetava um plug em um buraquinho, espetava outro ali e se conectava”, relembra. Ainda aprendendo a lidar com a tecnologia, durante a estreia, ao espetar os cabos no painel, Luiz conectou o canal errado e tudo o que falava no retorno foi transmitido ao vivo. “Achei que estava tudo sensacional. Só descobri depois, na discoteca, quando me contaram” recorda.

 

Equipamentos que caíam com o grito de gol

A tecnologia, avançada para a época, mas muito primitiva aos moldes do que se tem hoje, exigia atenção redobrada.

Na década de 1980, um transmissor de 250 watts, com válvulas sensíveis, era a base da operação. Se o locutor se empolgasse ao narrar um gol e o operador não reduzisse o volume, o sinal caía.

Com o tempo, a potência foi ampliada até chegar aos atuais 30 mil watts, já na frequência FM 94,7 MHz.

Luiz acompanhou toda a transição tecnológica do rádio. “Eu sou da época do rádio valvulado, da máquina de datilografar. Comercial era em fita de rolo, arquivado em cartucho. Cada anúncio precisava ser inserido manualmente” explica.

O controle dos contratos era feito com Kardex, sistema de fichas preenchidas à mão. Se um comercial fosse veiculado cinco vezes por dia, era preciso escrevê-lo 50 vezes por semana. Ao cancelar, o trabalho dobrava para apagar.

 

Uma paixão de longa data

Registrado oficialmente na emissora em 1º de agosto de 1981, Luiz passou por funções como operador de áudio, gravador, contador e gerente. Mesmo após quatro décadas, a paixão continua. “O rádio, para mim, foi uma namorada, virou esposa e hoje é o amor da minha vida. Tudo o que conquistei veio dele”, finaliza.

 

Ouça essa história completa no conteúdo especial de aniversário da Sintonia FM.

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