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Sintonia 44 anos: História é marcada por cobertura da enchente de 83 com repórteres ilhados na barragem

História da emissora se entrelaça com momentos marcantes para a comunidade

Sintonia 44 anos: História é marcada por cobertura da enchente de 83 com repórteres ilhados na barragem Equipe Sintonia nos anos 90. José Fernando Sens. Foto: Arquivo/ Sintonia FM

Entre tantos nomes que passaram pelos microfones da Sintonia, José Fernando Sens, o seu Zé, é um dos mais lembrados. Comunicador por vocação, ele integrou a rádio desde os primeiros anos. Atuou como repórter, comentarista esportivo, apresentador e até diretor artístico.

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Segundo ele, os primeiros programas foram feitos com poucos recursos e muita dedicação. “Eu fazia o ‘Caderno de Esportes’ com o Luiz do Prado e, aos poucos, passamos a cobrir jogos. Naquela época, improviso era regra”, contou.

José também apresentava o programa Bandinhas em Desfile, voltado à cultura das comunidades locais, e o Sintonia Reprise, com músicas antigas de diversos estilos.

 

Bandinhas em Desfile

De acordo com José, o Bandinhas em Sintonia, apresentado primeiramente por Artílio Schuhmacher, tinha como objetivo não só divulgar as festas, mas também contar histórias.

O programa tocava apenas músicas alemãs e italianas, relembrando a colonização da região. Depois, as bandinhas e gauchescas tradicionalistas foram incluídas na programação.

Já quem comunicava o Bandinhas precisava fazer um trabalho de contação de histórias, entrevistando pessoas da comunidade, contando histórias de vida e causos locais.

Na ausência de tecnologia, a equipe da rádio usava a criatividade para manter o sinal no ar. Em uma transmissão do Bandinhas, por exemplo, em um local de sinal de telefone precário, a equipe precisou ficar por horas segurando uma antena no meio do mato para garantir a conexão entre duas torres improvisadas. “Hoje ninguém mais se sujeitaria a isso, mas era a realidade. E a gente fazia com gosto” relembrou, entre risos.

 

Enchente de 1983: radioamadorismo foi necessário para passar informações

Um dos episódios mais marcantes da trajetória da Sintonia foi a cobertura da grande enchente de 1983. Ao lado de Artílio Schuhmacher, seu Zé passou 15 dias na barragem de Ituporanga, dormindo no carro, pois não era mais possível voltar para casa.

Os dois utilizaram equipamentos de radioamador, que ficavam no porta-malas do seu Artílio “No Opala caramelo do seu Artílio ele carregava o equipamento e transmitíamos aqui para o centro de Ituporanga”, afirma. As informações eram enviadas para uma espécie de “QG”, localizada na casa do médico Dr. Antônio Fernando Seccato, onde outros radioamadores da época ficavam reunidos. Estas pessoas é que repassavam as informações para o jornalismo da emissora.

Foram 15 dias com poucos recursos, roupas improvisadas, alimentação compartilhada e contando com o espírito de solidariedade de quem acompanhava a atuação da rádio.

Zé Fernando ainda relembra que, em um momento, ele ajudou a salvar um equipamento da operação da barragem. A água começou a verter e batia em um barranco com muita força, criando ondas que podiam comprometer os motores das comportas. “Eram umas 23h, o responsável pela barragem nos convidou para entrar naquele corredor onde ficavam os motores e salvar o equipamento. Nós fomos, com água na altura do peito e com medo”, relembra.

 

Ouça essa história completa no conteúdo especial de aniversário da Sintonia FM.

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