Apesar dos avanços no debate nacional sobre igualdade racial, episódios de racismo ainda fazem parte da rotina de muitas pessoas, inclusive no Alto Vale e na nossa região. A avaliação é de João Olívio, presidente da Associação Consciência Negra Idalina.
RECEBA NOTÍCIAS DE ITUPORANGA NO WHATSAPP
João destacou que o racismo estrutural permanece enraizado na sociedade e se manifesta em diferentes espaços, como escolas, serviços públicos e relações cotidianas. Para explicar o conceito, ele citou uma experiência pessoal vivida em uma viagem: ao parar em um posto de combustíveis à noite, foi surpreendido quando todas as pessoas correram para dentro da conveniência ao vê-lo chegar acompanhado do primo, também negro. “Eles não me conheciam. Nós não conhecíamos ninguém ali. Mas pela nossa presença, automaticamente associaram ao risco de assalto”, disse. O segurança só abriu a porta após perceber que se tratava de um pedido de informação.
O exemplo, segundo João, ilustra como o preconceito pode gerar situações de risco. “Se alguém estivesse armado, poderia ter acontecido uma tragédia”, afirmou. Ele reforçou que estatísticas nacionais mostram que, entre cada cem pessoas assassinadas no Brasil, setenta e cinco são negras, o que evidencia a urgência do debate e da prevenção.
O socorrista do Samu, Olivir Nogueira, também relatou situações de racismo sofridas durante atendimentos de emergência. Ele contou que, em algumas ocorrências, pacientes verbalizaram resistência ao contato físico durante o socorro. “Já ouvi ‘não toca em mim’ antes mesmo de iniciar o atendimento”, disse. Ele destacou que essas atitudes exigem preparo emocional e técnico da equipe para garantir o atendimento humanizado, independentemente de preconceitos.
Olivir também revelou que, ainda no dia da entrevista, recebeu mensagem de uma criança relatando sofrer racismo na escola. Ele orientou que a vítima procure a direção da instituição, converse com professores e registre boletim de ocorrência. “É inadmissível que crianças sigam passando por isso. A denúncia é fundamental”, afirmou.
João e Olivir ressaltaram o papel da educação na construção de uma sociedade mais justa, além do envolvimento das famílias e instituições para combater práticas discriminatórias.
Os detalhes na entrevista de João Sérgio:
Divulgação/Reprodução Portal Nexo/Senti na Pele