Produtores do Alto Vale do Itajaí que pretendem plantar sorgo na entressafra ainda podem aproveitar um programa de subsídio do governo do Estado, que garante incentivo financeiro por hectare cultivado. A iniciativa busca ampliar alternativas de renda em um cenário de custos elevados e margens ajustadas na produção de grãos.
O panorama foi apresentado pelo engenheiro agrônomo da Cravil, Neimar Willemann, ao avaliar o desempenho das principais culturas da região em 2025.
Crise no arroz e soja com boa produtividade
De acordo com o engenheiro agrônomo, o último ano foi desafiador para os produtores de grãos. A região se destaca na produção de milho, soja, arroz, trigo e sorgo, porém alguns segmentos enfrentam dificuldades, especialmente o arroz. “O arroz está sendo vendido a menos de R$50 a saca. No supermercado, vemos pacotes de 5kg por cerca de R$10, o que não cobre o custo de produção do produtor”, explicou.
Na soja, apesar da boa produtividade, os preços ficaram em patamares médios ao longo do ano. “O produtor tem um custo que chega a 50 ou 60 sacas por hectare e, muitas vezes, colhe exatamente isso. A conta mostra que não sobra rentabilidade”, afirmou.
Milho, trigo e sorgo apresentam resultados positivos
O milho superou as expectativas de produtividade, favorecido pela menor incidência de pragas, embora a área plantada tenha diminuído. Já o trigo e o sorgo, mesmo com áreas menores, apresentaram resultados considerados positivos. Para 2026, o engenheiro agrônomo destaca a retomada de um programa estadual voltado ao sorgo, desenvolvido em parceria com cooperativas e o governo catarinense. “No ano passado, o incentivo foi de cerca de R$700 por hectare para o produtor que plantasse sorgo. Se ele colhesse e vendesse como grão para ração, o Estado entrava com a contrapartida”, explicou.
O programa segue ativo e permite o cadastro de até 10 hectares por produtor. “Agora, o valor do subsídio chega a R$750 por hectare. Isso pode representar até R$7.500 para quem cultivar os 10 hectares”, detalhou.
Oportunidade para áreas de cebola e tabaco
A recomendação técnica é aproveitar áreas que estão saindo da colheita de cebola e tabaco. “É uma oportunidade interessante para inserir uma cultura na entressafra e, ainda, aproveitar o resíduo de fertilizantes que já existe no solo”, afirmou Neimar.
Além do retorno financeiro, o plantio contribui para a conservação do solo. “A recomendação sempre é adotar uma cultura ou adubação de cobertura. Deixar a área em pousio aumenta o risco de erosão”, alertou. Segundo o engenheiro agrônomo, o sorgo se apresenta como uma alternativa viável neste momento. “Tudo que ajuda a rentabilizar a propriedade, com os custos tão ajustados, faz diferença para o produtor”, concluiu.
Acompanhe a reportagem com Berta Thiesen:
Sorgo. Foto: Reprodução / Blog Syngenta Digital