Agro

Produtores iniciam comercialização do tabaco sem definição de preços e cobram negociação justa

Safra começou a ser comercializada em janeiro, mas fumicultores ainda aguardam posicionamento das empresas sobre valores pagos ao produtor.

Produtores iniciam comercialização do tabaco sem definição de preços e cobram negociação justa Foto: Reprodução / SindiTabaco

A comercialização do tabaco da safra 2025/2026 teve início neste mês de janeiro, mas, mais uma vez, sem definição oficial dos preços pagos ao produtor. A situação gera preocupação entre os fumicultores, que começam a vender a produção sem saber quanto irão receber ao final da safra.

Em entrevista à Rádio Sintonia, o agricultor e produtor de tabaco Giovane Weber, administrador da página Fumicultores do Brasil, destacou que a primeira rodada de negociação ocorreu nos últimos dias em Santa Rosa do Sul. Diferente de anos anteriores, quando as negociações iniciavam em dezembro, neste ciclo houve atraso em razão de problemas climáticos, especialmente o granizo, que impactou a colheita em diversas regiões.

Segundo Giovane, a ausência de definições por parte da indústria preocupa o setor. Ele relata que algumas empresas fumageiras sequer compareceram à rodada de negociação, enquanto outras participaram sem apresentar números ou propostas concretas.

O produtor reforça que o agricultor integrado cumpre rigorosamente normas, leis e exigências impostas pelas empresas e pelos órgãos reguladores, o que torna ainda mais necessária a definição de um preço justo. De acordo com ele, já existe um levantamento de custo de produção realizado entre entidades representativas e empresas, e esse valor deveria servir de base para a tabela de preços.

Giovane Weber também chama atenção para o fato de que, nos últimos anos, a tabela de preços deixou de ser respeitada. Embora em alguns momentos o produtor consiga vender acima do valor tabelado, isso não ocorre em todas as safras, o que aumenta a insegurança financeira.

Outro ponto levantado é a diferença entre produtores que comercializam diretamente com a indústria, com nota fiscal, e aqueles que vendem para atravessadores. No primeiro caso, há a possibilidade de reajuste retroativo caso o preço seja definido posteriormente. Já quem vende fora do sistema integrado não tem garantia de correção, assumindo o prejuízo caso o valor fique abaixo do custo.

Uma nova rodada de negociações está prevista para o mês de fevereiro, embora a data ainda não esteja oficialmente confirmada. A expectativa, segundo Giovanni, é de que as empresas apresentem números mais claros e avancem na definição dos preços.

Enquanto isso, os produtores seguem em um momento decisivo da safra, iniciando a comercialização do tabaco seco e precisando vender parte da produção para garantir renda. No entanto, a indefinição dos valores mantém o setor em alerta, sem saber se haverá um reajuste justo ou se os preços ficarão abaixo da média esperada.

Ouça os detalhes na entrevista de Josué Eger:

Publicidade

Outras Notícias