Durante o Dia de Campo da Afubra, realizado nesta terça-feira (27) em Ituporanga, o influencidor do agro e produtor de tabaco Giovane Weber compartilhou sua experiência na Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (COP 30), da qual participou em 2025. A presença de um fumicultor brasileiro no evento internacional foi considerada um feito inédito e histórico para o setor.
Giovane destacou que a participação ocorreu em pleno período de safra, o que exigiu esforço adicional, mas considerou fundamental estar presente para acompanhar de perto as discussões que impactam diretamente a fumicultura. Segundo ele, a experiência foi marcante, porém preocupante, especialmente pela forma como os produtores foram tratados durante o evento.
Acesso restrito e falta de transparência
De acordo com o produtor, apesar de a conferência ser oficialmente aberta e contar com recursos públicos dos países participantes, os fumicultores brasileiros não tiveram autorização para usar a palavra nem para acompanhar as discussões internas. A negativa, segundo Giovane, só foi comunicada quando ele já estava no local.
Outro ponto levantado foi a restrição à imprensa. Conforme relatado, apenas representantes oficiais dos governos puderam acessar as reuniões, o que impediu a divulgação direta do que estava sendo debatido. Diante disso, informações precisaram ser obtidas por meio de delegações de outros países, já que a representação brasileira não repassou os conteúdos discutidos.
Pressão política e articulações em Brasília
Giovani Weber também relatou que deputados estaduais, federais, prefeitos e secretários que estavam na COP 11 precisaram articular, junto a Brasília, uma reunião com o embaixador brasileiro. Mesmo assim, o encontro enfrentou resistência inicial, o que, segundo ele, evidenciou a dificuldade de diálogo entre o setor produtivo e os representantes oficiais.
Para o produtor, a situação gera frustração e apreensão, pois demonstra que decisões relevantes para a fumicultura acabam sendo tomadas sem a participação direta de quem vive da atividade.
Decisões da COP e impactos para o Brasil
Em relação às deliberações da conferência, Giovane afirmou que novos desafios estão no horizonte. Uma das propostas discutidas foi a retirada do filtro dos cigarros, medida que, segundo ele, poderia trazer impactos negativos à cadeia produtiva, mas que acabou não sendo aprovada por outros países.
O produtor destacou ainda que, embora as decisões da COP não sejam obrigatórias para os países signatários, o Brasil costuma implementar rapidamente as medidas definidas no evento. Para Giovani, isso é preocupante, considerando que o país é o maior exportador mundial de tabaco e o segundo maior produtor.
Ele alertou que a fumicultura tem papel fundamental na economia de regiões produtoras, como o Alto Vale do Itajaí, e que restrições excessivas podem gerar impactos severos tanto para os agricultores quanto para os municípios.
Necessidade de representação
Ao final, Giovane Weber reforçou a importância de representações políticas que defendam o setor, mesmo diante das dificuldades de acesso. Para ele, garantir voz aos fumicultores em debates internacionais é essencial para preservar uma atividade que sustenta milhares de famílias e movimenta a economia regional.
Confira com Josué Eger:
Foto: Arquivo pessoal/ Reprodução