Saúde

Por que homens só procuram ajuda psicológica quando a situação já está grave?

Psiquiatra aponta fatores culturais, estigma e dificuldade de reconhecer sintomas como entraves ao cuidado precoce.

Por que homens só procuram ajuda psicológica quando a situação já está grave? Homem sentado no sofá demonstra sinais de estresse e esgotamento emocional. / Foto: Pexels

Os homens procuram menos atendimento médico, especialmente em saúde mental e costumam buscar ajuda apenas quando os sintomas já comprometem a rotina. Como resultado, o início do tratamento ocorre em fases mais avançadas do sofrimento emocional, o que pode dificultar a recuperação.

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Segundo o psiquiatra Alexandre Balestieri Balan, esse comportamento aparece com frequência no consultório. “Os homens procuram menos atendimento mesmo. Em geral, eles chegam quando a situação já está mais grave, afetando o cotidiano e a saúde de forma geral”, afirmou.

Masculinidade tradicional e estigma

A chamada masculinidade tradicional ainda influencia a forma como muitos homens lidam com a própria saúde. Valores associados à força e à autossuficiência dificultam o reconhecimento da vulnerabilidade emocional. Além disso, o estigma em torno dos transtornos mentais segue como um dos principais obstáculos ao tratamento.

“O medo de ser visto como fraco, instável ou ‘louco’ pesa bastante. As pesquisas mostram que muitos homens deixam de procurar ajuda por esse receio de julgamento”, explicou o psiquiatra.

Dificuldade em reconhecer os primeiros sinais

Outro ponto de atenção está na identificação tardia dos sintomas. Em muitos casos, o próprio paciente não percebe os sinais iniciais de sofrimento emocional. “Geralmente, eles demoram a perceber que precisam procurar um profissional para enfrentar aquela situação”, relatou o médico.

O principal sinal de alerta é a disfunção, quando o comportamento e a rotina sofrem impacto por um período contínuo. Entre os exemplos estão dificuldade para dormir, queda de rendimento no trabalho e afastamento de atividades antes habituais.

Depressão e ansiedade exigem atenção ao tempo

No caso da depressão, o tempo é um critério importante para avaliação clínica. “Para depressão, usamos um tempo de corte de duas semanas. Se, na maior parte desse período, a pessoa está disfuncional e sem conseguir render, isso acende um alerta”, explicou o psiquiatra.

A ansiedade também é comum entre homens, mas frequentemente é confundida com estresse passageiro. A diferença está na duração e na intensidade dos sintomas. “Na ansiedade generalizada, o tempo de corte é de seis meses, com preocupações excessivas, tensão muscular, angústia, sintomas gástricos e medo constante de que algo ruim aconteça”, detalhou.

Tratamento é possível e necessário

Para o especialista, mudar a forma de falar sobre saúde mental também faz diferença. “Nós não somos a doença. Somos alguém que está doente e pode se curar”, afirmou. O tratamento, segundo ele, é possível e deve ser encarado como parte do cuidado integral com a saúde.

Acompanhe a reportagem de Amarilis Pequeno da Rede de Notícias ACAERT:  

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