Uma confusão marcou a partida entre Santa Catarina Clube e Barra Futebol Clube, válida pelas quartas de final do Campeonato Catarinense, realizada neste sábado, dia 07, em Rio do Sul. Após o jogo, o Santa Catarina Clube e a Polícia Militar de Santa Catarina divulgaram notas oficiais sobre os acontecimentos dentro e fora de campo.
Os episódios envolveram protestos, tensão entre torcidas, intervenção policial e o registro de um caso de racismo.
Nota do Santa Catarina Clube
Em manifestação pública, o Santa Catarina Clube afirmou que a partida, que deveria ser uma celebração do futebol, terminou marcada por polêmicas de arbitragem, provocações e atos considerados inadmissíveis.
Segundo o clube, decisões controversas da arbitragem e do VAR em momentos decisivos contribuíram para elevar a tensão durante o jogo. Ainda conforme a nota, torcedores do Santa Catarina, que teriam comparecido de forma pacífica, foram alvo de provocações por atletas e membros da comissão técnica adversária.
O clube também relatou que referências às enchentes que atingem Rio do Sul teriam sido utilizadas de forma ofensiva. “Trata-se de um tema sensível que exige empatia e solidariedade, jamais deboche”, diz o texto.
Registro de ato racista
O Santa Catarina Clube informou ainda que, ao término da partida, o atleta Hyan Klynsmann Moreira dos Santos foi vítima de um ato racista praticado por um integrante da torcida adversária. O agressor não foi identificado no momento.
De acordo com a nota, o jogador foi acompanhado até a delegacia para registro do boletim de ocorrência. “O Santa Catarina Clube não tolera, não relativiza e jamais se calará diante de qualquer forma de racismo”, afirma o comunicado.
Na mesma manifestação, o clube também declarou solidariedade ao Barra Futebol Clube, citando o episódio de racismo sofrido pelo atleta Cléo Silva, e ressaltou que atos isolados não representam as instituições ou suas torcidas.
Atuação da Polícia Militar
A Polícia Militar de Santa Catarina, por meio do 13º Batalhão, informou que a atuação das guarnições teve como objetivo restabelecer a ordem e garantir a integridade física de atletas, arbitragem, profissionais da imprensa e do público.
Segundo a corporação, ao final da partida houve tentativas de invasão, arremesso de objetos, cusparadas e agressões físicas direcionadas à arbitragem, torcedores visitantes, delegações e policiais militares.
Diante do cenário, a Polícia Militar relatou que iniciou a intervenção com ordens diretas, sem sucesso, e que posteriormente utilizou agentes químicos para dispersar o tumulto e evitar o agravamento da situação.
Uso de agentes químicos e esclarecimentos
Conforme a nota, o uso de spray de pimenta e granadas de efeito moral segue protocolos nacionais e internacionais de controle de multidões. A corporação explicou que esses instrumentos criam uma zona de exclusão para cessar agressões sem contato físico direto.
A Polícia Militar reconheceu que, em ambientes abertos, o vento pode dispersar os agentes químicos e atingir pessoas fora do foco do conflito. Ainda assim, afirmou que a medida foi necessária para evitar consequências mais graves.
“A corporação lamenta que profissionais e torcedores pacíficos tenham sido afetados, mas a ação foi essencial para conter o distúrbio”, informou a nota.
Posicionamento final
A Polícia Militar destacou que respeita o direito à manifestação, mas reforçou que atua quando há risco à segurança de pessoas ou ao patrimônio. As ações de comando, segundo a corporação, passam por revisão constante para aperfeiçoamento dos protocolos.
Já o Santa Catarina Clube encerrou sua nota defendendo que o futebol seja pautado pela paixão, respeito e inclusão, além de manifestar solidariedade às vítimas e à população de Rio do Sul.
Jogo entre Santa Catarina e Barra. Foto: @santacatarinaclube no Instagram