Pacientes de Ituporanga chegam a aguardar entre um ano e meio e dois anos para realizar exames de ressonância magnética pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A informação foi confirmada pela secretária municipal de Saúde, Aline Postais, durante entrevista à Rádio Sintonia. Segundo ela, o exame está entre os procedimentos com maior fila de espera no município, principalmente pelo custo elevado e pela demanda superior à oferta de vagas.
Atualmente, Ituporanga recebe uma cota de três ressonâncias magnéticas mensais pela regulação estadual. Para ampliar o atendimento, a Prefeitura utiliza recursos próprios e consegue agendar, em média, de 20 a 30 exames por mês. Mesmo assim, a quantidade permanece abaixo da necessidade. Conforme a secretária, o município recebe aproximadamente 30 solicitações de ressonância magnética por semana.
Tempo de espera depende da classificação de risco
Apesar da fila que pode chegar a dois anos, nem todos os pacientes aguardam o mesmo período para realizar o exame. Aline explica que os encaminhamentos são avaliados pelo sistema de regulação do SUS, considerando a condição clínica de cada paciente.
Dessa forma, pessoas com situações consideradas mais urgentes podem conseguir atendimento em 15 ou 30 dias, enquanto aquelas classificadas para procedimentos eletivos podem permanecer na fila por períodos mais longos.
Segundo a secretária, a prioridade não é definida pela administração municipal, mas por médicos reguladores responsáveis pela análise das solicitações. “O médico regulador vai avaliar mediante os dados clínicos que o médico colocou no documento. A palavra urgente, sozinha, não significa que os dados clínicos atendam aos critérios de urgência”, explicou. Por isso, a descrição detalhada do quadro de saúde no encaminhamento médico é fundamental para a classificação adequada.
Município recebe apenas três vagas mensais pela regulação estadual
A secretária explicou que a ressonância magnética é considerada um exame de alta complexidade e que sua oferta pelo SUS depende da organização da rede estadual de saúde. Conforme Aline, a cota disponibilizada ao município pela regulação estadual é de apenas três exames por mês.
Diante dessa limitação, a Prefeitura de Ituporanga complementa o atendimento com recursos municipais. Atualmente, são agendadas aproximadamente 20 a 30 ressonâncias magnéticas por mês com o apoio financeiro do município.
Entretanto, a demanda continua elevada. “Trinta ressonâncias por mês é mais ou menos o que eu tenho de pedido em uma semana. A gente não consegue zerar a fila”, afirmou. A secretária também apontou a capacidade limitada de realização de exames pelo SUS na região como um dos fatores que dificultam a redução do tempo de espera.
Cada ressonância pode custar até R$ 1,5 mil ao município
Outro desafio é o custo dos procedimentos. Segundo Aline, os valores pagos pelo município variam conforme o tipo de exame e as necessidades do paciente. Há procedimentos que custam entre R$ 500 e R$ 800, enquanto outros podem chegar a aproximadamente R$ 1.500.
A secretária explicou que os recursos próprios são utilizados para ampliar o número de agendamentos e reduzir o tempo de espera, principalmente diante da quantidade limitada de vagas estaduais. Mesmo com esse investimento, a oferta de exames não acompanha o volume de novas solicitações.
Faltas a consultas e exames prejudicam atendimento
Além da demanda elevada, a Secretaria de Saúde enfrenta outro problema: o não comparecimento de pacientes aos atendimentos agendados. De acordo com a secretária, o índice médio de faltas a consultas e exames chega a aproximadamente 20%. Isso significa que, a cada dez atendimentos marcados, cerca de dois pacientes não comparecem.
Aline explicou que a ausência sem comunicação pode representar a perda de uma vaga que poderia ser utilizada por outra pessoa. Em procedimentos com oferta limitada, como a ressonância magnética, o impacto pode ser ainda maior. “Se a gente tem duas pessoas que faltaram em dez agendamentos, perde aquelas vagas. A equipe se organizou para atender aquela quantidade de pacientes”, relatou.
Paciente que falta pode precisar retornar à fila
A secretária alertou que o não comparecimento pode provocar um novo período de espera. Segundo ela, quando o paciente perde o agendamento, nem sempre é possível disponibilizar outra data imediatamente. Em algumas situações, a Secretaria consegue negociar um novo horário com a unidade responsável. Em outras, o paciente precisa retornar à fila de regulação.
Aline ressaltou que casos de doença ou imprevistos que impeçam o comparecimento são avaliados individualmente pela equipe de saúde. Por isso, a orientação é que os pacientes informem à Secretaria de Saúde, com antecedência sempre que possível, caso não consigam comparecer ao atendimento.
A medida permite que a equipe avalie a situação e, quando houver possibilidade, reorganize os agendamentos. Para a secretária, a redução das faltas e a ampliação da oferta de exames são fundamentais para melhorar o acesso aos procedimentos especializados em Ituporanga.
Enquanto a demanda permanecer acima da capacidade de atendimento, a classificação de risco continuará sendo determinante para definir a prioridade dos pacientes na fila.
Confira os detalhes na entrevista com Aline Postais (secretária de saúde de Ituporanga) realizada durante o Programa Café com João da Rádio Sintonia:
Máquina de ressonância magnética do Hospital Regional Alto Vale. Foto: Reprodução / HRAV