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Oito em cada dez autores de feminicídio respondem presos, enquanto Justiça busca acelerar processos

Levantamento do Ministério Público de SC mostra alta eficácia em condenações, mas revela que sentença final demora quase dois anos.

Oito em cada dez autores de feminicídio respondem presos, enquanto Justiça busca acelerar processos Violência contra mulher - Imagem Ilustrativa. Foto: Reprodução / Site RNA

O Mapa do Feminicídio do Ministério Público de Santa Catarina aponta que 81% dos autores de feminicídio no estado respondem ao processo presos. O levantamento também mostra que o índice de absolvição é inferior a 3%.

Apesar da alta taxa de responsabilização, o estudo chama atenção para a demora no desfecho dos casos. Segundo o MPSC, os processos levam, em média, 618 dias entre a ocorrência do crime e a sentença final. Na prática, isso representa quase dois anos de tramitação.

A promotora de Justiça Chimelly Louise de Resenes Marcon, coordenadora do Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas, afirma que os dados indicam baixa impunidade nos casos analisados: “Nós estamos lidando com um tipo de criminalidade de pouca ou quase nenhuma impunidade. 81% desses agressores respondem o processo presos e nós temos um índice de absolvição menor do que 3%”, disse.

Condenações por feminicídio passam de 15 anos em 70% dos casos

O levantamento também mostra que as condenações aplicadas nos casos de feminicídio em Santa Catarina têm penas elevadas. Conforme os dados, 70% das sentenças ultrapassam 15 anos de reclusão.

Para a promotora, o sistema de justiça tem atuado de forma consistente na responsabilização criminal dos autores desse tipo de violência contra as mulheres: “O sistema de justiça tem operado com bastante consistência no sentido de responsabilizar criminalmente quem pratica esse tipo de violência letal contra as mulheres”, afirmou Chimelly.

Demora até o Tribunal do Júri preocupa Ministério Público

Embora os índices de responsabilização sejam altos, o MPSC aponta lentidão no andamento dos processos. A maior demora ocorre entre a decisão que leva o caso ao Tribunal do Júri e a realização do julgamento.

Segundo o estudo, essa etapa final leva cerca de 340 dias. No total, o procedimento tramita, em média, por 618 dias: “Está havendo uma certa lentidão desse processamento. A gente percebe essa maior lentidão durante um momento do processo, que é quando o juízo diz que esse caso deve ser levado ao júri e o momento da realização propriamente dita do Tribunal do Júri”, explicou a promotora.

Histórico de violência aparece em quase 70% dos casos

O Mapa do Feminicídio também revela que quase 70% das vítimas já tinham histórico de violência. O dado amplia o alerta sobre a necessidade de prevenção e de respostas mais rápidas antes que os casos cheguem ao crime fatal.

Para Chimelly, além da responsabilização, o sistema precisa considerar a expectativa de familiares, amigos e da comunidade: “Há uma necessidade de nós olharmos para a expectativa que é gerada a familiares, a amigos, à comunidade, de que aquele crime seja processado com uma celeridade correspondente à própria gravidade do delito que está sendo apurado”, afirmou.

Confira os detalhes na reportagem de Carol Denardi, da Rede de Notícias Acaert: 

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