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Lodo de lavanderias do Alto Vale se transforma em matéria-prima para a produção de tijolos

As 209 toneladas do insumo entregues pelas lavanderias, desde maio de 2023, foram utilizadas na produção de 1,7 milhão de tijolos.

Lodo de lavanderias do Alto Vale se transforma em matéria-prima para a produção de tijolos Divulgação/Reprodução

O lodo de lavanderias está se transformando em tijolos no Alto Vale do Itajaí. O projeto Blue Lab, que envolve cinco lavanderias e uma indústria cerâmica, já proporcionou a utilização de 209 toneladas de lodo na produção de 1,7 milhão tijolos, entre maio de 2023 e janeiro de 2025.

A estratégia surgiu da mobilização da Federação das Indústrias de SC (Fiesc) e dos sindicatos das indústrias de Fiação e Tecelagem (Sinfiatec) e da Cerâmica (Sindicer) do Alto Vale. O Instituto SENAI de Tecnologia Ambiental, sediado em Blumenau, realizou as pesquisas e estudos que geraram a viabilização técnica da proposta. O Instituto SENAI de Tecnologia Cerâmica, de Criciúma, faz o acompanhamento técnico do projeto, que obteve a aprovação do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina.

O lodo se forma durante a lavagem do jeans, quando resíduos se desprendem ao entrarem em contato com a água.“O desafio foi levantado no Núcleo de Lavanderias do Sinfiatec”, explica Fernando Gusmão, diretor administrativo da Lavanderia e Tinturaria Quality. “O lodo é um efluente com alto custo para destinação em aterros industriais. Pesquisamos uma solução e identificamos a possibilidade de utilizá-lo na produção de tijolos”, acrescenta.

As lavanderias participantes enviam o lodo para a Cerâmica Princesa, de Rio do Sulonde o material é incorporado à argila utilizada na produção. “O máximo que adicionamos de lodo em cada massa de fabricação é 3%”, explica Sandro Tavares Santos, assessor técnico e jurídico da Cerâmica Princesa e presidente do Sindicer.“Além de retirar o lodo do meio ambiente, o projeto traz um segundo benefício para a sociedade, já que reduz, ainda que de maneira modesta, a extração de argila para a fabricação de tijolos", salienta.“Não é possível incorporar uma porcentagem maior de lodo aos tijolos por causa da quantidade de água presente. Precisamos manter a qualidade do tijolo, seguindo as normas do Inmetro”,acrescenta Sandro.

Graças ao projeto, a Lavanderia Cristal, de Rio do Sul, agora realiza a reciclagem de todos os resíduos. “O lodo era nosso único resíduo sem destinação cíclica. Ao invés de enviar para o aterro industrial, optamos pela fabricação de tijolos. Nossos clientes valorizam essas iniciativas e utilizam as informações como estratégia de marketing para seus produtos”, comenta Hiago Butzke Martins, sócio-administrativo da Lavanderia Cristal.

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