Cultura

Livro resgata a origem e as memórias da comunidade do Garrafão, em Imbuia

Um dos autores, Agenor de Souza, conta como nasceu o projeto e relembra a trajetória das famílias na localidade do município.

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Livro resgata a origem e as memórias da comunidade do Garrafão, em Imbuia Agenor de Souza e sua Neta Ana Luiza. Foto: Reprodução / Prefeitura de Imbuia no Facebook

Um garrafão quebrado, encontrado em uma picada em 1917, deu nome a uma comunidade de Imbuia. Mais de um século depois, esse episódio integra o livro "Garrafão: Memórias de uma comunidade."

A obra tem autoria de Agenor de Souza e do padre Mário Peixe, com organização de Ana Luiza Scheidt. O conteúdo reúne informações sobre o surgimento da localidade, as famílias e as condições enfrentadas pelos agricultores.

Pesquisa iniciada há dez anos deu origem ao livro

O projeto começou há cerca de dez anos, por iniciativa do padre e coautor Mário Peixe. Na época, ele pesquisou a história local e procurou pessoas que pudessem contribuir com informações. “A ideia desse livro começou com o interesse do padre Mário Peixe. Ele estava na região pesquisando e procurando pessoas para ajudá-lo a contar essa história”, relata o autor Agenor de Souza.

Depois de concluir sua parte, o padre entregou uma cópia manuscrita a Agenor. O conteúdo chamou a atenção porque apresentava fatos relacionados à família do autor e ao surgimento da localidade. “Ele concluiu a parte dele e me entregou uma cópia manuscrita. Aquilo me chamou atenção porque falava da nossa família, de como o Garrafão nasceu e por que recebeu esse nome”, conta.

A partir disso, Agenor convidou a organizadora Ana Luiza Scheidt, sua neta, para participar do trabalho. Durante a produção, ele também decidiu acrescentar as próprias lembranças. “Meu pai veio para o Garrafão em 1935. Comecei a relatar a história dos meus pais, dos meus tios e dos meus avós”, explica.

Livro registra o trabalho das primeiras famílias

A obra apresenta as condições encontradas pelos moradores que viviam da agricultura. Na época, as propriedades não contavam com máquinas e os produtores não tinham acesso ao calcário.

Por isso, as famílias realizavam o trabalho principalmente com foice e enxada. Além de cultivar a terra, os moradores precisavam garantir o sustento dos filhos com os recursos disponíveis. “Era tudo na base da foice e da enxada. Criar uma família naquela época, com uma terra fraca, exigia muito esforço”, relata Agenor.

Garrafão quebrado deu nome à localidade

Segundo a história reunida no livro, Rodolfo Andersen costumava caçar na região. Em 1917, ele percorreu uma picada e encontrou um garrafão quebrado.

Como o local ainda não tinha nome, o objeto passou a servir como ponto de referência. Com o tempo, os moradores começaram a chamar a área de Garrafão. “Como acharam esse garrafão quebrado, colocaram o nome naquele lugar. Era uma forma de marcar o local”, explica o autor.

Registro busca alcançar as próximas gerações

Além dos acontecimentos locais, o livro reúne histórias que Agenor ouviu dos pais, dos avós e de outros moradores. O autor também utilizou conversas, visitas, fotografias e lembranças compartilhadas durante a preparação da obra.

Segundo Agenor, o objetivo não foi registrar todos os nomes ou acontecimentos. Ele buscou selecionar passagens relacionadas às famílias e à vida comunitária. “É muito bom saber de onde a gente veio, como veio e quem foram os nossos antepassados. Por isso, eu me dediquei a escrever essa história”, afirma.

Para o autor, colocar os relatos no papel reduz o risco de que as informações desapareçam com o passar dos anos. “Se este livro conseguir manter viva a memória do Garrafão e despertar nas novas gerações o interesse por conhecer suas origens, ele já terá cumprido o seu propósito”, conclui.

Como adquirir o livro

Os interessados podem adquirir "Garrafão: Memórias de uma comunidade" diretamente com o autor Agenor de Souza, pelo telefone (47) 98480-8696.

Confira os detalhes na reportagem de Jaciara Oliveira.

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