Polícia

Justiça atende pedido da PF e determina prisão preventiva de Bolsonaro

A decisão ocorre após o senador Flávio Bolsonaro mobilizar para vigília na casa do pai, pouco antes do início da pena por tentativa de golpe.

Justiça atende pedido da PF e determina prisão preventiva de Bolsonaro Foto: Sergio Lima / AFP

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso preventivamente na manhã deste sábado (22), em Brasília, após decisão do Supremo Tribunal Federal atendendo a um pedido da Polícia Federal. A prisão é uma medida cautelar e não está ligada à condenação dele por tentativa de golpe de Estado, que ainda está em fase de recursos.

Segundo a investigação, a PF pediu a prisão para garantir a ordem pública. A corporação avaliou que a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro, na noite de sexta-feira (21), em frente ao condomínio do pai, criava risco para apoiadores e agentes de segurança, já que o início do cumprimento da pena se aproximava.

Bolsonaro foi detido por volta das 6h, sem apresentar resistência. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não estava em casa no momento. O comboio chegou à sede da PF às 6h35. Após os primeiros procedimentos, ele foi levado para a Superintendência da corporação, onde ficará em uma sala de Estado, espaço reservado para autoridades de alto escalão. Peritos do IML fizeram o exame de corpo de delito dentro da própria PF para evitar exposição.

Em nota, a Polícia Federal confirmou o cumprimento do mandado expedido pelo STF. Já a defesa disse que, até 6h40, ainda não havia sido oficialmente informada da decisão.

Bolsonaro estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto, imposta pelo ministro Alexandre de Moraes por descumprimento de medidas cautelares. À época, o ministro afirmou que o ex-presidente usou redes de aliados, incluindo seus filhos parlamentares, para estimular ataques ao STF.

Paralelamente, Bolsonaro foi condenado em setembro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, mas a pena não é definitiva e segue em fase de recursos. A prisão preventiva deste sábado não tem relação direta com essa condenação.

Ontem, antes da nova prisão, a defesa pediu ao ministro Alexandre de Moraes que substituísse o regime inicial fechado por prisão domiciliar humanitária, alegando que Bolsonaro tem “quadro clínico grave” e múltiplas comorbidades, o que tornaria o encarceramento em presídio um “risco concreto à vida”.

Os advogados afirmam que vão recorrer tanto da condenação quanto da nova decisão.

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