Saúde

Ituporanga passa a exigir consulta médica para renovar receitas de medicamentos contínuos

Mudança na rede municipal de saúde busca ampliar o acompanhamento dos pacientes e evitar o uso prolongado de medicamentos sem reavaliação médica.

Ituporanga passa a exigir consulta médica para renovar receitas de medicamentos contínuos Consulta médica - Imagem Ilustrativa. Foto: Reprodução / Internet

Pacientes que utilizam medicamentos de uso contínuo em Ituporanga passarão por consultas médicas para renovar suas receitas. A mudança está sendo implantada pela Secretaria Municipal de Saúde e tem como objetivo garantir que os tratamentos sejam reavaliados periodicamente, considerando as condições clínicas de cada pessoa.

A medida altera o fluxo de atendimento principalmente nas unidades de saúde com maior demanda. Em vez de apenas solicitar a renovação da receita, o paciente deverá passar por uma avaliação médica para verificar se o medicamento, a dosagem e a continuidade do tratamento permanecem adequados.

Segundo a secretária municipal de Saúde, Aline de Abreu Postais, algumas unidades já adotavam esse procedimento. Agora, a administração está ampliando a prática para fortalecer o acompanhamento dos pacientes na rede pública.

Secretaria de Saúde explica por que decidiu mudar o atendimento

A secretária Aline de Abreu Postais explica que a decisão foi tomada em conjunto com os médicos da rede municipal, após a identificação da necessidade de maior proximidade com os pacientes que fazem uso contínuo de medicamentos. “Essa mudança é para termos esse vínculo com o paciente. Observamos, juntamente com os médicos da nossa rede pública, a necessidade dessa aproximação”, afirmou.

Segundo ela, o objetivo é permitir que os profissionais avaliem as condições de saúde antes de autorizar a continuidade de uma prescrição. “Não apenas renovar uma receita e o paciente sair dali, pegar o medicamento e continuar utilizando. Precisamos ter esse cuidado extra com o nosso paciente”, explicou.

Médico alerta que doenças e necessidades de tratamento podem mudar

O médico da rede municipal Jhonny Levino explica que a reavaliação periódica é uma medida de segurança, especialmente para pacientes com doenças crônicas.

Conforme o profissional, mesmo quando a pessoa não apresenta sintomas, doenças como diabetes, hipertensão e colesterol elevado podem evoluir e exigir mudanças no tratamento. “Esse paciente ainda precisa desse remédio? A doença mudou? Segurança é a palavra quando falamos sobre renovação de receitas”, afirmou.

O médico explica que diferentes medicamentos possuem prazos específicos de validade das prescrições, conforme a classe e as regras aplicáveis. Algumas receitas de medicamentos controlados têm validade de 30 ou 60 dias. Já determinadas prescrições de medicamentos para doenças crônicas podem ter períodos maiores, como seis meses.

Esses intervalos, segundo o profissional, também servem como referência para a necessidade de acompanhamento médico. Durante as consultas, os profissionais poderão analisar exames, verificar a evolução das doenças e avaliar a necessidade de manter, reduzir ou alterar as doses prescritas.

Uso prolongado de medicamentos para ansiedade e insônia exige atenção

Outro ponto abordado pelo médico Jhonny Levino envolve medicamentos utilizados no tratamento da ansiedade e da insônia, especialmente os que podem provocar dependência. Entre os exemplos citados estão o clonazepam e o diazepam, medicamentos que exigem controle na prescrição e acompanhamento profissional.

Segundo o médico, o uso prolongado sem reavaliação pode aumentar o risco de dependência e de tolerância, situação em que o paciente passa a perceber uma redução do efeito da mesma dose. “Às vezes, a pessoa começa a usar o remédio e ele faz um efeito muito bom. Depois de três ou quatro semanas, parece que precisa usar mais para ter o mesmo efeito”, explicou.

O profissional também chamou a atenção para os riscos associados ao uso desses medicamentos por pessoas idosas. De acordo com ele, os efeitos sedativos podem aumentar a possibilidade de quedas, especialmente quando o paciente se levanta durante a madrugada.

Uma queda pode provocar fraturas e comprometer a mobilidade e a autonomia da pessoa, exigindo internação e reabilitação. Por isso, a orientação é que o uso desses medicamentos seja acompanhado regularmente por um médico. Pacientes não devem interromper ou alterar a dosagem de medicamentos por conta própria. Qualquer mudança no tratamento deve ser avaliada pelo profissional responsável.

Novas consultas podem afetar a disponibilidade de vagas?

Uma das preocupações relacionadas à mudança é o possível aumento da procura por consultas nas unidades de saúde. A secretária Aline Postais afirma que a rede municipal está reorganizando os cronogramas de atendimento e ampliando o número de profissionais para absorver a demanda.

A proposta, segundo ela, é garantir o acompanhamento dos pacientes que precisam renovar suas receitas sem comprometer os demais atendimentos. Entretanto, a organização não será necessariamente igual em todas as unidades. Cada equipe deverá definir seu fluxo de agendamento de acordo com a quantidade de pacientes atendidos e a disponibilidade de profissionais.

Como renovar receitas de medicamentos contínuos em Ituporanga?

A Secretaria Municipal de Saúde orienta os pacientes que utilizam medicamentos contínuos a procurar a unidade de saúde de referência para verificar como será realizado o agendamento da consulta.

Como o novo procedimento está sendo implantado gradualmente, os horários e a organização poderão variar entre os postos. A recomendação é buscar informações antes do vencimento da receita, evitando a interrupção do tratamento por falta de prescrição válida.

A mudança pretende transformar a renovação de receitas em uma oportunidade de acompanhamento da saúde, permitindo identificar alterações no quadro clínico e prevenir complicações relacionadas ao uso de medicamentos.

Ouça a reportagem de Jean Carlos: 

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