O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) de Ituporanga criou um comitê para tratar da situação de moradores de rua no município. Atualmente, dez pessoas vivem nas ruas da cidade e outras oito são consideradas transitórias, ou seja, estão de passagem por Ituporanga.
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De acordo com a coordenadora do CREAS, Ana Carolina da Cunha Capistrano, as causas que levam pessoas a viver nessa condição são diversas. “Estamos lidando com seres humanos, são pessoas que chegam até nós e que a gente precisa entender os motivos por qual estão na rua, como fragilidades de saúde, vícios e pouco ou nenhum vínculo com as famílias ”, explicou.
Comitê é criado
No dia 12 de agosto, uma reunião reuniu cerca de 30 pessoas, entre representantes de entidades, lojistas, CDL, administração municipal, forças de segurança e vereadores. Na ocasião, foi definido que o município terá uma política específica para atender a população em situação de rua, acompanhada por um comitê de trabalho.
Segundo a coordenadora, o grupo vai elaborar estratégias e acompanhar a execução das medidas. “Esse comitê vai planejar e dizer aonde a gente quer chegar, trabalhando com quem já está nas ruas e com quem chega à cidade em busca de melhores condições”, afirmou.
Nova lei, com diretrizes concretas, deve ser apresentada em breve
Uma nova legislação municipal também está em elaboração e deve se basear na lei estadual aprovada em julho, que prevê o cadastramento de pessoas em situação de rua. O governo de Santa Catarina ainda deve repassar orientações aos municípios sobre como aplicar o cadastro.
Ana Carolina explica que a articulação local será fundamental. “É um grupo de trabalho que envolve vários setores dentro do município, várias pessoas dessa rede de atendimento, que precisam pensar juntos o que será feito”, disse.
Lei aprovada em maio gera debates
Na sessão da Câmara de Vereadores do dia 18, o vereador Luiz Carlos Laurindo (MDB) relacionou o aumento de pessoas em situação de rua ao fluxo de trabalhadores temporários durante a safra da cebola. Para a coordenadora do CREAS, não é um problema restrito a esse período. “Muitos vêm de outros estados em busca de trabalho ou melhores condições, mas enfrentam pobreza extrema, vínculos familiares fragilizados e questões de saúde”, destacou.
Na mesma sessão, a presidente da Câmara, Sandra Regina Berns Clasen (PP), lembrou que a lei nº 3019 foi aprovada em 22 de maio e prevê o cadastro social e de saúde de trabalhadores temporários. Já o vereador Felipe Muller (PL) criticou a ausência de ações desde a aprovação.
Ana Carolina reconheceu que o texto ainda precisa de ajustes para ser aplicado. “Ela foi aprovada, mas está sendo estudada, porque apresenta pontos que precisam ser melhor organizados para definir quem deve realizar o cadastro e como será feito”, concluiu.
CREAS de Ituporanga. Foto: Berta Thiesen / Rádio Sintonia