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História da Estrada de Ferro Santa Catarina será tema de palestras em Ituporanga

Projeto marca os 55 anos da desativação da ferrovia e terá atividades em escolas e um encontro com idosos para preservar memórias do Alto Vale.

História da Estrada de Ferro Santa Catarina será tema de palestras em Ituporanga Historiador Jonas Felácio Júnior. Foto: Jonas Felácio Júnior / Arquivo Histórico de SC

A história da Estrada de Ferro Santa Catarina, que contribuiu para o desenvolvimento econômico e social do Alto Vale do Itajaí, será apresentada em uma série de palestras em Ituporanga durante outubro. O projeto marca os 55 anos da desativação da ferrovia, ocorrida em 1971, e busca aproximar as novas gerações de um período importante da formação regional.

As atividades serão conduzidas pelo historiador Jonas Felácio Júnior, com apresentações de fotografias, documentos e registros históricos. A programação contempla estudantes das escolas Aleixo Dellagiustina e Mont'Alverne, além de um encontro com idosos, previsto para o dia 30 de outubro.

Segundo o historiador, a iniciativa pretende recuperar uma história que muitos jovens desconhecem. “Hoje, como faz 55 anos que ela foi desativada, muitos jovens já nem sabem que existiu uma estrada de ferro, não acompanharam essa história”, explica.

Ferrovia contribuiu para o desenvolvimento econômico do Alto Vale

A Estrada de Ferro Santa Catarina começou a funcionar em 1909, em Blumenau, e permaneceu em operação até 1971. Sua expansão em direção ao interior permitiu ampliar o transporte de mercadorias e passageiros.

De acordo com Jonas, a ferrovia teve papel importante no escoamento da produção agrícola e da madeira extraída na região. Com o transporte ferroviário, produtores rurais passaram a contar com uma alternativa para comercializar o excedente das lavouras. Além disso, a atividade madeireira ganhou condições de alcançar outros mercados.

O historiador lembra que o Alto Vale chegou a contar com mais de 140 serrarias em funcionamento durante as décadas de 1930 e 1940. Parte da madeira produzida na região era destinada a mercados internacionais, incluindo Estados Unidos e Alemanha. “Talvez a região do Alto Vale não fosse tão desenvolvida como é hoje se não tivesse existido essa ferrovia. Ela foi fundamental para escoar a produção agrícola”, afirma.

Expansão da ferrovia chegou ao Alto Vale décadas depois

A construção da estrada de ferro começou em Blumenau, após iniciativas para facilitar a colonização e o desenvolvimento das áreas do interior. Conforme Jonas, o projeto recebeu investimentos de origem alemã e enfrentou dificuldades durante a construção.

A ferrovia chegou a Lontras em 1929, aproximadamente 20 anos depois do início das operações em Blumenau. Já a estação central de Rio do Sul passou a integrar a estrutura ferroviária em 1936. A partir dessa expansão, o transporte de passageiros e mercadorias passou a influenciar diretamente a economia e a circulação de pessoas nos municípios do Alto Vale.

Além da produção agrícola e madeireira, os trens também eram utilizados por famílias que se deslocavam para visitar parentes, participar de eventos e realizar viagens mais longas.

Escolas receberão palestras nos dias 14, 15 e 16 de outubro

A programação em Ituporanga começa na próxima quarta-feira, dia 14 de outubro, na Escola de Educação Básica Aleixo Dellagiustina.

Nos dias 15 e 16, as atividades serão realizadas na Escola de Ensino Fundamental Mont'Alverne. Durante os encontros, os estudantes terão acesso a fotografias e informações sobre a construção da ferrovia, sua expansão pelo Vale do Itajaí e a importância para o desenvolvimento regional.

A proposta é apresentar esse período histórico de forma acessível e estimular o interesse dos alunos pela preservação da memória local.

Encontro com idosos pretende recuperar histórias da Maria Fumaça

Além das atividades nas escolas, o projeto prevê um encontro com idosos na tarde de 30 de outubro, uma sexta-feira. A iniciativa pretende abrir espaço para que pessoas que conheceram ou utilizaram a ferrovia compartilhem suas lembranças.

Segundo Jonas, muitos moradores ainda guardam recordações de viagens feitas de trem, seja para visitar familiares, participar de casamentos, transportar mercadorias ou seguir para outras regiões do país. “A ideia é que esse momento seja aberto para a comunidade também, para possibilitar que os idosos possam contar suas vivências sobre a Estrada de Ferro”, explica. O local e o horário do encontro ainda estão sendo organizados.

Projeto conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc

As atividades foram viabilizadas por meio de recursos públicos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).

Para o historiador, iniciativas desse tipo contribuem para preservar documentos, relatos e conhecimentos que ajudam a compreender a formação dos municípios do Alto Vale. “Quanto mais conhecimento e informação da nossa história a gente compartilha com a sociedade, mais ela vai compreender que temos uma história que precisa ser valorizada e repassada para as gerações seguintes”, conclui Jonas.

Confira os detalhes na reportagem de Jean Carlos:

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