Um telefonema informando que a conta bancária será bloqueada, uma mensagem de um suposto familiar pedindo dinheiro ou até um vídeo produzido com inteligência artificial. Essas são algumas das estratégias utilizadas por criminosos para aplicar golpes virtuais em Santa Catarina.
Apesar das diferentes abordagens, os golpistas costumam utilizar dois elementos para convencer as vítimas: a urgência e a ameaça de prejuízo. O objetivo é fazer com que a pessoa tome uma decisão sem verificar a autenticidade das informações.
O perito oficial e superintendente regional da Polícia Científica em Joinville, Iury Nunes Lopes, explica que essas características aparecem em diferentes modalidades de estelionato. "Tem algumas características que são comuns à maioria dos golpes. Primeiro, é criar um senso de urgência", explica.
Segundo o perito, os criminosos também utilizam ameaças de bloqueio de contas bancárias e cobranças que exigem pagamento imediato.
Golpes pelo WhatsApp utilizam mensagens de familiares e ameaças de bloqueio
Entre as modalidades citadas pelo especialista está o golpe em que o criminoso se passa por um familiar. Nesse caso, o golpista entra em contato por um número desconhecido e afirma que mudou de telefone.
Em seguida, solicita dinheiro para pagar uma conta ou boleto, geralmente alegando que precisa resolver a situação naquele momento. "Oi, mãe, mudei meu número de celular, anota aí meu número novo", exemplifica o perito oficial Iury Nunes Lopes ao descrever uma das abordagens utilizadas pelos criminosos.
Além disso, os golpistas podem alegar que a vítima terá a conta bancária bloqueada caso não realize uma transferência imediatamente.
Para evitar prejuízos, o superintendente regional da Polícia Científica em Joinville orienta que a população desconfie de solicitações que exigem decisões rápidas. "Viu que tem alguma coisa estranha, pare, avalie a situação, não tome nenhuma atitude precipitada, nenhuma atitude imediata", recomenda.
A orientação é confirmar a identidade de quem solicita dinheiro por outro meio de comunicação. No caso de um suposto familiar, a pessoa deve tentar contato pelo número de telefone que já conhece.
Inteligência artificial permite criar vídeos e áudios falsos para aplicar golpes
O avanço da inteligência artificial também representa um desafio na identificação de fraudes eletrônicas.
De acordo com Iury Nunes Lopes, os criminosos podem utilizar ferramentas tecnológicas para reproduzir a aparência e a voz de pessoas conhecidas.
Essa prática envolve a criação de conteúdos conhecidos como deepfakes, que simulam imagens, vídeos e áudios de pessoas reais. "O golpista cria a voz da pessoa, ele cria a face da pessoa, ele pode criar um vídeo como se fosse a própria pessoa falando para você", explica.
Por isso, mesmo quando uma mensagem contém a voz ou a imagem de alguém conhecido, a recomendação é verificar a autenticidade do pedido antes de realizar qualquer pagamento.
Vítimas de golpes virtuais devem interromper contato e guardar provas
Quando uma pessoa percebe que sofreu um golpe virtual ou identifica uma tentativa de estelionato, a primeira orientação é interromper o contato com o criminoso. Conforme o superintendente regional da Polícia Científica em Joinville, a vítima não deve continuar respondendo às mensagens ou solicitações do golpista.
O segundo passo é preservar todos os registros relacionados à tentativa de fraude. "Não apague mensagens, não apague e-mail. Se tiver algum arquivo de áudio, algum comprovante daquilo que foi feito, guarda tudo", orienta Iury Nunes Lopes.
Entre os materiais que podem auxiliar nas investigações estão conversas por aplicativos, e-mails, gravações de áudio e comprovantes de transferências bancárias.
Como registrar boletim de ocorrência por golpe virtual em Santa Catarina
As vítimas de estelionato eletrônico podem registrar um boletim de ocorrência pela Delegacia Virtual da Polícia Civil de Santa Catarina, sem precisar comparecer presencialmente a uma unidade policial. O registro permite comunicar o crime às autoridades e apresentar as informações disponíveis sobre a fraude.
Além disso, a preservação das mensagens e dos comprovantes pode contribuir para o trabalho de investigação. A principal recomendação do perito oficial e superintendente regional da Polícia Científica em Joinville, Iury Nunes Lopes, é desconfiar de pedidos que envolvam transferências imediatas, ameaças de bloqueio ou situações que impeçam a confirmação das informações.
Confira os detalhes na reportagem de Carol Denardi, da Rede de Notícias ACAERT:
Atenção para Golpes virtuais - Imagem Ilustrativa. Foto: Reprodução / RNA