Agro

Granizo atinge mais de 19 mil lavouras de tabaco no Sul do Brasil

Safra enfrenta prejuízos climáticos, atraso na colheita e expectativa pelas negociações do preço mínimo, previstas para janeiro.

Granizo atinge mais de 19 mil lavouras de tabaco no Sul do Brasil Lavoura atingida por granizo. Foto: Reprodução/Fumilcultores do Brasil

A atual safra do tabaco no Sul do Brasil vem sendo marcada por prejuízos causados pelo granizo, atraso no calendário agrícola e apreensão entre os produtores quanto à definição do preço mínimo. Mesmo com parte da colheita já concluída, uma parcela significativa das lavouras ainda permanece exposta a novos eventos climáticos.

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De acordo com dados apresentados pelo tesoureiro da AFUBRA, Fabrício Murini, até o momento 19.367 lavouras foram atingidas pelo granizo nos três estados do Sul. Desse total, 6.237 estão no Rio Grande do Sul, 7.487 em Santa Catarina e 5.643 no Paraná.

Em Santa Catarina, os prejuízos se concentram principalmente em algumas microrregiões. Segundo Murini, as ocorrências de granizo nesta safra foram mais intensas do que no ciclo anterior, com destaque para o Alto Vale do Itajaí, especialmente nas regiões de Rio do Sul e Ituporanga, além da microrregião do Rio Negro, que abrange municípios como Mafra, Canoinhas e Irineópolis.

O atraso no plantio, provocado por um inverno mais rigoroso, também refletiu diretamente no andamento da colheita. Conforme o levantamento da Afubra, 55% da variedade Virgínia já foi colhida, 56% do Burley e 70% do tabaco Comum, o que representa 56% da área total colhida. Com isso, 44% das lavouras ainda seguem no campo, mantendo o risco de novas perdas por granizo.

Outro fator que pesa sobre a safra é o custo de produção, que envolve todas as etapas do cultivo, desde o preparo do solo até a colheita e a classificação. O levantamento aponta que a mão de obra continua sendo o principal item de impacto nos custos, sobretudo nas fases finais do processo. Em razão do atraso no plantio, a apuração dos custos, que normalmente se encerrava na primeira quinzena de dezembro, foi concluída apenas na segunda quinzena neste ano.

Com os custos já apurados e conciliados com as empresas do setor, a atenção dos produtores agora se volta às negociações do preço mínimo do tabaco, consideradas essenciais para garantir segurança na comercialização da safra. A primeira rodada de negociações está marcada para os dias 19 e 20 de janeiro, reunindo as federações representativas e as empresas compradoras.

A Afubra reforça que a atualização anual da tabela de preço mínimo é fundamental, especialmente em safras marcadas por dificuldades climáticas, pois estabelece um parâmetro básico para a venda do produto e dá maior previsibilidade aos produtores rurais.

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