A redução da jornada de trabalho no Brasil poderá resultar na perda de aproximadamente 27 mil empregos no comércio e nos serviços de Santa Catarina, segundo estimativa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio SC). A mudança começa a entrar em vigor em 15 de dezembro, com a redução da carga horária semanal de 44 para 42 horas.
A primeira etapa da transição, estabelecida por meio de emenda constitucional, prevê cinco dias de trabalho e dois de descanso. Entretanto, a Fecomércio SC projeta impactos nos custos das empresas e no mercado de trabalho catarinense.
Fecomércio prevê aumento nos custos trabalhistas com nova jornada
Um estudo realizado pela Fecomércio SC estima que a mudança na jornada poderá elevar o custo da hora trabalhada em 9% no comércio e aproximadamente 6% no setor de serviços.
A economista da Fecomércio SC, Edilene Cavalcanti dos Anjos, explica que os impactos variam conforme as características de cada segmento. "No comércio, a hora trabalhada aumenta 9% e nos serviços cerca de 6%, porque é um setor em que os contratos são majoritariamente de 40 horas. Então, esse impacto nos serviços é menor", explica.
Segundo a economista, a projeção de perda de aproximadamente 27 mil empregos considera os possíveis efeitos da redução da jornada sobre as empresas catarinenses. Além disso, a federação realiza uma pesquisa para identificar como os empresários estão se preparando para a transição prevista até o final do ano.
Setor de serviços lidera geração de empregos em Santa Catarina
Apesar das preocupações com a mudança na jornada de trabalho, o setor de serviços continua liderando a abertura de vagas formais em Santa Catarina. Conforme os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o segmento registrou mais de 30 mil novos postos de trabalho entre janeiro e agosto de 2026.
Para a economista Edilene Cavalcanti, o consumo das famílias tem contribuído para o desempenho do setor. "A disposição das famílias em continuar consumindo esses serviços tem impulsionado o setor e mantido um bom resultado, apesar desse ano preocupante por parte dos empresários, que estão muito preocupados em relação à situação da economia", avalia.
Segundo a especialista, mesmo diante das preocupações econômicas, o setor de serviços mantém saldo positivo na geração de empregos.
Comércio catarinense registra mais demissões do que contratações
Em contrapartida, o comércio de Santa Catarina apresenta um cenário diferente. Entre janeiro e agosto de 2026, o segmento acumulou saldo negativo de 316 empregos formais. Isso significa que o número de desligamentos superou o de admissões durante o período.
A economista da Fecomércio SC, Edilene Cavalcanti, observa uma desaceleração na geração de postos de trabalho em Santa Catarina. "No mercado de trabalho como um todo aqui em Santa Catarina, a gente está percebendo essa desaceleração na geração de empregos, mensalmente um saldo cada vez menor. E no comércio, esse saldo tem sido negativo, ou seja, mais desligamentos do que admissões", explica.
De acordo com a economista, a preocupação dos empresários com a situação econômica tem influenciado o comportamento do mercado de trabalho. Entretanto, a expectativa é de recuperação das contratações nos últimos meses do ano. A chegada da temporada de verão, a Black Friday e o Natal podem contribuir para reverter o saldo negativo do comércio.
Indústria e construção civil apresentam saldo positivo de empregos
Além dos setores de comércio e serviços, os dados do Caged mostram diferenças na geração de empregos entre os demais segmentos econômicos de Santa Catarina. A indústria catarinense abriu quase 27 mil novas vagas formais nos oito primeiros meses de 2026. Já a construção civil registrou aproximadamente 10.800 novos postos de trabalho.
Por outro lado, a agropecuária apresentou saldo negativo de 743 empregos no mesmo período. Com a proximidade da redução da jornada semanal, a Fecomércio SC acompanha a preparação dos empresários e os possíveis impactos da mudança sobre as contratações.
A entidade também avalia o comportamento do mercado de trabalho diante da desaceleração na geração de empregos e da expectativa de aumento das contratações no final do ano.
Confira os detalhes na reportagem de Kadu Reis, da Rede de Notícias ACAERT:
Carteira de Trabalho. Foto: Reprodução / Site RNA