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Estudo do MPSC aponta Ituporanga e Imbuia entre municípios com maior presença de agrotóxicos na água

Levantamento acende alerta sobre poluição ambiental e leva Ministério Público a traçar plano estratégico para reduzir impactos na saúde pública.

Estudo do MPSC aponta Ituporanga e Imbuia entre municípios com maior presença de agrotóxicos na água Foto: Imagem Ilustrativa / Reprodução Internet

Um estudo apresentado nesta quarta-feira (28) ao Grupo de Trabalho da Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos colocou os municípios de Ituporanga e Imbuia em destaque negativo no cenário catarinense. 

O levantamento, realizado a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), identificou a presença simultânea de diversos resíduos de agrotóxicos na água que abastece essas cidades.

O estudo analisou as águas tratadas que abastecem os 295 municípios de Santa Catarina, com dados coletados entre 2018 e 2023, dentro do Programa Alimento Sem Risco. 

As análises abrangeram mananciais superficiais e subterrâneos e foram realizadas por laboratórios credenciados, com recursos do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL).

No Vale do Itajaí, considerado uma das regiões mais críticas do estado, 24 dos 54 municípios apresentaram resíduos de agrotóxicos na água potável. Entre eles, Ituporanga e Imbuia se destacam pela quantidade e diversidade das substâncias encontradas.

Em Imbuia, foram identificados 17 tipos diferentes de resíduos de agrotóxicos, incluindo dois ingredientes ativos proibidos no Brasil desde 2019, mas detectados em amostras coletadas em 2022 e 2023. Também foi encontrado um fungicida em concentração superior a 12 microgramas por litro, nível considerado elevado por especialistas.

Já em Ituporanga, o estudo apontou a presença simultânea de 23 ingredientes ativos de agrotóxicos na água tratada, sendo que nove substâncias apresentaram concentrações acima de 1 micrograma por litro. Além disso, também foram detectados resíduos de fungicidas banidos no país.

Apesar dos resultados, o MPSC reforça que as concentrações encontradas estão abaixo dos limites máximos permitidos pela legislação brasileira, definidos pela Portaria nº 888/2021 do Ministério da Saúde. 

Por isso, do ponto de vista legal, a água distribuída pela rede pública é considerada própria para consumo e não representa risco imediato à saúde.

No entanto, a principal preocupação está na exposição crônica da população, ou seja, no contato contínuo e prolongado com esses resíduos. Estudos científicos indicam que esse tipo de exposição pode aumentar, a longo prazo, o risco de doenças como linfoma não-Hodgkin, câncer de estômago, próstata e tireoide, além de alterações endócrinas e neurológicas.

Diante dos dados, o MPSC anunciou que pretende atuar de forma integrada nas áreas do consumidor, da saúde pública e do meio ambiente. 

Para regiões mais críticas, como o Vale do Itajaí e municípios como Ituporanga e Imbuia, a proposta é fomentar a criação de grupos de trabalho intersetoriais, envolvendo saúde, assistência social, agricultura e defesa do consumidor.

Esses grupos devem atuar tanto na conscientização sobre o uso e manuseio de agrotóxicos quanto na busca ativa por possíveis impactos à saúde da população. 

Paralelamente, o Ministério Público também busca sensibilizar o Governo Federal para a revisão da Portaria nº 888/2021, já que a legislação atual não considera os efeitos da exposição simultânea a múltiplas substâncias químicas.

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