Saúde

Entenda porque o atendimento no Pronto Socorro de Ituporanga pode demorar

Mais de 70% dos atendimentos de Pronto Socorro poderiam acontecer em postos de saúde.

Entenda porque o atendimento no Pronto Socorro de Ituporanga pode demorar Hospital Bom Jesus. Foto: Franciel Andrade / Sintonia FM

Após questionamentos da população sobre a demora no atendimento do Pronto Socorro do Hospital Bom Jesus, em Ituporanga, a direção da instituição esclareceu como funciona o fluxo de atendimentos e o sistema de classificação de risco por cores, adotado em todo o país pelo Ministério da Saúde.


Segundo a administração, períodos como festas de fim de ano concentram maior procura por atendimento, além de ampliar a quantidade de ocorrências graves, o que impacta diretamente no tempo de espera de casos menos urgentes.

 

Alta demanda e atendimentos além da porta principal


O administrador do Hospital Bom Jesus, Fabiano Amorim, explica que o Pronto Socorro atende não apenas quem procura o hospital espontaneamente, mas também ocorrências de toda a região. “Nossa região tem quase 70 mil habitantes e todos acabam sendo drenados para o pronto atendimento. Além disso, recebemos SAMU, ambulâncias, apoio à UTI e casos psiquiátricos”, afirma.
Fabiano também destaca que pacientes graves podem permanecer no Pronto Socorro por dias, aguardando vaga em hospitais de referência. “Enquanto aguardam transferência, essas pessoas seguem recebendo assistência no PS”, completa.

 

Entenda as cores das pulseiras no Pronto Socorro


O Hospital segue o protocolo nacional de classificação de risco, que organiza o atendimento conforme a gravidade do quadro clínico, e não pela ordem de chegada:


•    Vermelho: atendimento imediato
•    Laranja: muito urgente, até 10 minutos
•    Amarelo: urgente, até uma hora
•    Verde: pouco urgente, até duas horas
•    Azul: não urgente, até quatro horas


Esse sistema prioriza quem corre maior risco de vida, mesmo que não apresente dor visível.

 

Triagem começa na recepção


A coordenadora de enfermagem, Michele Brunn, explica que o atendimento inicia ainda na recepção, antes mesmo da classificação formal. “A recepção é treinada para identificar sinais de gravidade. Se o paciente não está bem, a triagem acontece de forma imediata”, relata.


Ela reforça que informações corretas durante a triagem ajudam na definição do atendimento. “É o momento em que coletamos todos os dados do paciente para garantir segurança no cuidado”, diz.

Emergências chegam fora da área de espera


O coordenador médico do Pronto Socorro, doutor Aleister Aquino, esclarece que nem todas as emergências são visíveis para quem aguarda atendimento. “As emergências chegam por outra entrada e, muitas vezes, exigem mais de uma hora e meia de estabilização dentro da sala de emergência”, explica.


Segundo ele, compreender esse processo pode mudar a percepção da espera. “Às vezes o pronto atendimento parece vazio, mas as equipes estão atuando em salas internas para salvar vidas”, destaca.


O médico também orienta que mais de 70% dos atendimentos são casos simples, que poderiam ser resolvidos nas Unidades Básicas de Saúde, porta de entrada do sistema público.

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