O deputado federal Rafael Pezenti (MDB-SC), que integra a comitiva brasileira presente em Genebra, na Suíça, para acompanhar a COP 11 do Controle do Tabaco, afirmou nesta terça-feira (18) que a delegação avançou nas tratativas após ter sido impedida de acessar as discussões no primeiro dia do evento. Segundo ele, o grupo é formado por parlamentares federais, deputados estaduais, prefeitos e lideranças sindicais ligadas à fumicultura.
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Pezenti relatou que, apesar de a conferência ser pública, a comitiva não conseguiu entrada na segunda-feira (17). O deputado também criticou o fato de o Brasil financiar o evento com quase R$ 1,5 milhão, enquanto parte da delegação oficial teria apresentado posicionamentos desfavoráveis ao setor produtivo brasileiro, que é líder mundial em exportação de tabaco há trinta e dois anos.
No segundo dia, afirmou o parlamentar, houve avanço após reunião com o embaixador brasileiro em Genebra, Tovar Nunes, chefe da delegação oficial. “Ele garantiu que, a partir de hoje, haverá reuniões de debriefing para que possamos acompanhar as decisões do Brasil e interferir quando necessário”, destacou.
Entre os pontos que mais preocupam os representantes da fumicultura estão duas propostas discutidas na conferência. A primeira prevê a responsabilização ambiental dos produtores de tabaco pelos danos causados pelos cigarros e pelos dispositivos eletrônicos. Pezenti argumenta que o agricultor já cumpre rigorosos critérios socioambientais e não pode ser responsabilizado pelo impacto do consumo desses produtos.
A segunda proposta criticada pelo deputado é a possibilidade de retirada do filtro dos cigarros. Para ele, a medida teria impacto direto na cadeia produtiva e seria prejudicial à saúde do próprio fumante. “O filtro diminui a temperatura da fumaça, reduz a carga de alcatrão e impede que partículas sólidas cheguem ao pulmão. Só cogitar isso já é um absurdo”, avaliou.
Pezenti afirmou que está articulando com delegações de outros países para barrar a iniciativa. “Estamos conversando com representantes de dois países, um deles africano. Não posso revelar quais são, porque há risco de retaliação ou até expulsão dessas delegações se houver suspeita de alinhamento conosco”, disse.
O deputado também alertou que a retirada do filtro poderia estimular o contrabando, citando o Paraguai como possível fornecedor caso as medidas entrem em vigor. “Sem filtro, muitos fumantes simplesmente migrariam para o mercado ilegal”, afirmou.
A COP 11 segue até sexta-feira (21) em Genebra, com temperaturas que chegam a –4ºC, conforme relatou Pezenti. O parlamentar encerrou dizendo que permanece confiante na manutenção e no fortalecimento da fumicultura brasileira.
Foto: Reprodução/ND+