Agro

Crise no arroz e na cebola mobiliza governo e produtores em Santa Catarina

Deputado José Milton Schefer alerta para preços abaixo do custo de produção e defende medidas urgentes para socorrer produtores de arroz e cebola.

Crise no arroz e na cebola mobiliza governo e produtores em Santa Catarina Arquivo/Rádio Sintonia

A agricultura catarinense vive um dos momentos mais delicados de sua história recente. Produtores de arroz e cebola, duas cadeias produtivas estratégicas para a economia do Alto Vale e de Santa Catarina, enfrentam uma crise marcada por preços de comercialização abaixo do custo de produção, o que tem levado a um endividamento sem precedentes no campo.

O alerta é do deputado estadual José Milton Schefer (PP), que destaca que o problema vai além de uma única cultura. “O produtor fez a sua parte, produziu bem, mas o preço pago hoje não cobre os custos. Isso preocupa muito e exige união para encontrar soluções”, afirmou.

Coordenador da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Arroz em Santa Catarina, o parlamentar lembra que as articulações começaram ainda no ano passado, quando houve forte queda no preço do grão. Desde então, lideranças do setor têm promovido encontros em Brasília, reuniões com o governo estadual e debates técnicos, como o seminário realizado durante a Expointer.

Entre as medidas em andamento está o pedido de redução da carga tributária sobre o arroz beneficiado em Santa Catarina, tema já tratado em audiência com o governador Jorginho Mello. Segundo Schefer, uma nova reunião com o secretário da Fazenda, Cleverson Siewert, deve ocorrer nos próximos dias para definir os detalhes da proposta, considerada urgente pelo setor.

Além das ações no âmbito estadual, uma pauta conjunta está sendo construída com cooperativas, associações da indústria do arroz, sindicatos rurais e de trabalhadores do campo. O documento será levado ao vice-presidente da República, com apoio de estados como Rio Grande do Sul e Tocantins, defendendo a exportação de grandes volumes de arroz como forma de equilibrar o mercado e garantir, ao menos, a cobertura dos custos de produção.

Na cadeia da cebola, a situação também é crítica. O deputado elogiou o trabalho da Associação dos Produtores de Cebola de Santa Catarina (Aproesc) e o fortalecimento do associativismo, mas ressaltou que a cultura enfrenta dificuldades adicionais por não permitir estocagem prolongada. “Há excesso de produto no mercado e o agricultor não pode ser penalizado por isso. Falta planejamento do Governo Federal”, afirmou.

Entre as propostas discutidas estão a atuação da Conab na compra de parte da produção e a atualização do Programa de Garantia dos Preços da Agricultura Familiar (PGPAF), que, segundo o setor, está defasado há mais de dez anos. A reivindicação é elevar o valor de indenização para ajudar no pagamento do custeio bancário, com sugestão de até R$ 10 mil por hectare.

Outra preocupação é o vencimento dos financiamentos, que ocorre cerca de 60 dias após a colheita. Schefer defende a prorrogação dos prazos por pelo menos seis meses, permitindo que o agricultor aguarde melhores condições de mercado para vender a produção. “Para o banco não é problema, e para o agricultor é uma grande ajuda”, destacou.

O deputado reforça ainda que os produtores têm direito à prorrogação dos financiamentos em caso de queda de preços, mantendo as mesmas taxas de juros, desde que o pedido seja feito antes do vencimento. “É uma garantia importante neste momento de dificuldade de comercialização”, concluiu.

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