A crise enfrentada pelos produtores de cebola esteve no centro dos debates durante a Assembleia da APROCESC, realizada na noite desta sexta-feira (23), em Ituporanga. O encontro reuniu agricultores da região, lideranças políticas, representantes de entidades do setor agrícola e membros do Governo Federal, com o objetivo de discutir medidas urgentes diante da forte queda nos preços da cebola.
Participaram da assembleia representantes do Sindicato Rural de Ituporanga, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), além de integrantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Durante a reunião, produtores relataram dificuldades financeiras consideradas graves, com casos de agricultores que não conseguem honrar compromissos mesmo após uma safra inteira de trabalho.
Governo Federal reconhece gravidade da situação
Representando o Ministério da Agricultura, Francisco avaliou o encontro como necessário e reconheceu a dimensão da crise enfrentada pelos produtores.
Segundo ele, trata-se da segunda crise consecutiva provocada pela superprodução, com preços abaixo do custo de produção. O representante destacou que a situação precisa ser resolvida para garantir a remuneração mínima do agricultor e evitar mais um ano de prejuízos no campo.
Francisco também afirmou que o Ministério busca alternativas para adequar normas de financiamento e articular, junto a outros órgãos federais, soluções emergenciais que permitam ao produtor manter suas atividades e regularizar dívidas.
Seminário Nacional da Cebola deve reforçar debate
O representante do Mapa confirmou ainda a intenção do Ministério em participar do Seminário Nacional da Cebola, previsto para o mês de abril, em Ituporanga. Segundo ele, o evento pode contribuir para a construção de soluções de médio e longo prazo, especialmente em relação à redução de custos de produção e à prevenção de novas crises no setor.
Deputado faz críticas à política agrícola federal
Presente na assembleia, o deputado federal Rafael Pezenti também participou dos debates e fez críticas à política agrícola do Governo Federal. Segundo ele, a retirada de programas como o Proagro e a redução da subvenção ao seguro rural enfraquecem a agricultura familiar.
O parlamentar afirmou que as propostas apresentadas pela Aprocesc serão levadas a Brasília e entregues aos ministros, em uma articulação que pretende envolver lideranças políticas de diferentes partidos e regiões.
Aprocesc reforça união e busca por soluções imediatas
Para o presidente da Associação dos Produtores de Cebola de Santa Catarina (Aprocesc), Jorge Sardo, a assembleia foi marcada pela forte presença dos agricultores e por relatos que evidenciam a gravidade da situação no campo.
Segundo ele, os depoimentos apresentados mostram produtores endividados, mas dispostos a pagar suas dívidas, desde que tenham condições reais para isso. O presidente reforçou que o objetivo é garantir alternativas para que o agricultor consiga se manter na atividade e continuar produzindo alimentos.
Propostas apresentadas
Entre as propostas encaminhadas pela Aprocesc estão:
- Ampliação do prazo de reembolso para o armazenamento da cebola;
- Alterações no Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF);
- Aumento dos limites de custeio e investimento;
- Possibilidade de utilizar dados de déficit apontados pela Conab como critério para concessão de descontos.
Enquanto o Seminário Nacional da Cebola se aproxima, a expectativa dos produtores é por respostas rápidas e efetivas. A entidade reforça que a união política e institucional será fundamental para transformar as demandas apresentadas em Ituporanga em medidas concretas que garantam a permanência do agricultor no campo.
Para a Sintonia, reportagem especial de Jean Carlos:
Crise da cebola mobiliza agricultores e autoridades em assembleia da Aprocesc. Foto: Jean Carlos