A audiência pública realizada na noite de terça-feira (24), em Aurora reuniu moradores, autoridades e técnicos para esclarecer dúvidas sobre a CGH Aurora (Central Geradora Hidrelétrica), construída atrás da Prefeitura. A principal preocupação da população esteve relacionada ao impacto da estrutura em possíveis cheias no município.
Durante o encontro, representantes da empresa e técnicos apresentaram estudos e dados sobre o funcionamento da usina. Além disso, explicaram que o modelo adotado não prevê o armazenamento de grandes volumes de água.
Funcionamento da CGH Aurora e modelo fio d’água
De acordo com o representante da CGH, Fernando Meneghazzi, a usina opera no sistema fio d’água, ou seja, utiliza o fluxo natural do rio para geração de energia: "O barramento já existe há mais de 50 anos e foi revitalizado. A usina gera energia com a água que o rio fornece, sem armazenar grandes volumes", afirmou.
Ainda segundo ele, em situações de cheia, a estrutura não altera o comportamento do rio de forma significativa: "Em uma enchente de grande porte, ela funciona como uma pedra no rio, sem segurar a água", explicou.
Melhorias no escoamento e impacto no nível do rio
Além da estrutura da usina, intervenções foram realizadas no trecho abaixo do barramento para melhorar o escoamento da água. O objetivo é facilitar a vazão em períodos de chuva. O engenheiro André Wolzbecker detalhou que a ação ocorreu em um ponto específico do rio:
"A melhoria nesse trecho permite dar mais vazão e reduzir um pouco o nível da água no centro da cidade", disse. Ele também explicou que o impacto é limitado, mas pode contribuir em eventos já registrados: "Em uma cheia como a de 2011, a redução pode chegar a alguns centímetros no nível da água", afirmou.
Comportas e resposta em enxurradas
Outro ponto abordado foi a instalação de comportas na estrutura. Elas auxiliam no escoamento da água em situações de menor intensidade: "As comportas ajudam principalmente no início da subida do rio, dando mais tempo de resposta", explicou o engenheiro André Wolzbecker.
No entanto, em eventos maiores, o efeito é reduzido: "Em cheias de grande porte, a água passa por cima de qualquer forma", completou.
Monitoramento e retorno para o município
Durante a audiência, também foi apresentada a estrutura de monitoramento da usina, que funciona de forma contínua: "A usina é monitorada 24 horas por dia, o que permite acompanhar o comportamento do rio", afirmou o representante da CGH, Fernando Meneghazzi.
Além disso, a operação deve gerar receita para o município: "A estimativa é de cerca de 500 mil reais por ano em impostos", disse. A audiência permitiu que a população acompanhasse as explicações técnicas e tirasse dúvidas sobre a CGH Aurora. O debate também abordou cenários de cheias já registrados e as possíveis contribuições das intervenções realizadas no rio.
Ouça a reportagem de Vanessa Montibeller:
CGH Aurora gera debate sobre risco de cheias. Foto: Vanessa Montibeller