Uma audiência pública realizada nesta quinta-feira (4), em Agronômica, reuniu mais de 400 pessoas entre autoridades,representantes da indústria e agricultores para discutir os projetos de lei que tramitam na Assembleia Legislativa de Santa Catarina e que tratam das formas de comercialização do tabaco.
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O deputado federal Rafael Pezenti (MDB) avaliou que o texto precisa de ajustes para não trazer prejuízos ao setor. “O projeto precisa ser aprovado, mas não da forma como foi apresentado, porque isso pode trazer prejuízos ao produtor. O exemplo do Rio Grande do Sul mostra que é preciso corrigir equívocos para que o agricultor catarinense não pague a conta”, afirmou.
Já o deputado estadual Oscar Gutz (PL), articulador da audiência, reforçou a importância de ouvir diretamente os fumicultores. “Temos que votar um projeto que realmente dê respaldo ao agricultor. E isso só acontece ouvindo quem está no campo, além das empresas e entidades”, disse.
Para o presidente da Ucavi, Valdemar Schäfer, a expressiva participação no encontro foi um sinal da mobilização do setor. “Hoje temos mais de 400 pessoas presentes. É uma satisfação ver produtores e empresas debatendo juntos, porque a lei precisa atender tanto o agricultor quanto a indústria.”
Do lado das empresas, o diretor do Sinditabaco, Carlos Alberto Senn, fez um alerta sobre os impactos de mudanças semelhantes já ocorridas no Rio Grande do Sul. “A lei gaúcha trouxe dificuldades operacionais e financeiras. É preciso avaliar com cuidado para que Santa Catarina não enfrente os mesmos problemas.”
A Afubra também se posicionou em defesa dos agricultores. O gerente Patrick Barp lembrou que o produtor é o elo mais frágil da cadeia. “Por trás de cada produtor há uma família que depende do tabaco. É importante que a legislação seja clara, prática e sem burocracias, para garantir segurança aos fumicultores.”
Produtores rurais aproveitaram o espaço para compartilhar experiências. Um agricultor de Lontras relatou problemas na classificação feita pelas empresas: “Já passei por situações de levar o mesmo fumo para a empresa e sair com várias classificações diferentes, que rebaixaram o valor. Isso não pode continuar acontecendo.”
Outro produtor, Guilherme Kahl, também de Lontras, destacou que a compra no paiol pode ser positiva, mas exige preparação. “O fumo nos deu condições de seguir na agricultura, mas para que a compra no paiol funcione é preciso estrutura e transparência. Do contrário, quem paga a conta é o agricultor.”
O encontro foi considerado um passo importante para que o texto em análise na Alesc seja ajustado e traga segurança tanto para os produtores quanto para as empresas fumageiras.
Ouça os detalhes com Vanessa Montibeller:
Jean Carlos/Rádio Sintonia