Depois de 38 anos de dedicação, a diretora Marceli Erhardt Westphal encerra um grande ciclo à frente do Centro de Educação Infantil Bom Pastor, em Ituporanga. A despedida marca o fim de uma trajetória iniciada ainda na juventude e que se confunde com a própria história da instituição, referência na educação infantil do município.
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Em entrevista à Rádio Sintonia, Marceli relembrou o início do Bom Pastor, que começou de forma simples, em uma sala improvisada, e se transformou ao longo dos anos em uma estrutura que hoje atende cerca de 350 crianças, com uma equipe formada por 42 profissionais.
Uma história que começou pequena e cresceu com a comunidade
O CEI Bom Pastor teve origem a partir da iniciativa de Ula, esposa do pastor Martin, ao perceber crianças que ficavam pelas ruas da comunidade. Com apoio da paróquia evangélica e um acordo informal com o então prefeito Gervásio Maciel, a escola iniciou suas atividades ainda de forma experimental. “Foi tudo no acordo de palavra. Começou com uma salinha, depois duas, depois três. Quando vimos, a estrutura já não comportava mais a demanda”, recorda Marceli.
Com o crescimento dos bairros e do número de crianças, surgiu a necessidade de um novo prédio. A construção foi possível graças a campanhas comunitárias, rifas, festas, doações locais e até apoio internacional, especialmente de comunidades ligadas à igreja na Alemanha. “Teve campanha de telhas, bazares, cafés feitos fora do país. Cada contribuição ajudou a construir o Bom Pastor que conhecemos hoje”, conta.
Parceria público-privada pioneira para a época
Marceli destacou que o Bom Pastor foi, ainda nos anos 1980 e 1990, um exemplo pioneiro de parceria entre o poder público e uma instituição comunitária, um modelo que hoje é mais utilizado.
A escola é laica, pública, mantida com recursos públicos, e funciona em um espaço pertencente à paróquia, mediante contrato. Segundo ela, a proposta sempre foi trabalhar valores humanos, acolhimento e educação integral, sem caráter confessional. “Não era sobre religião, mas sobre educação, espiritualidade, cuidado com as crianças e com as famílias”, explica.
Um novo ciclo, sem deixar de servir
Agora, Marceli se despede da direção para iniciar uma nova fase. Formada recentemente em musicoterapia e concluindo complementação em música, ela pretende reduzir a carga horária, dedicar mais tempo à família e investir em projetos pessoais. “Não é parar. É desacelerar. Quero cuidar mais da minha mãe, da minha família, de mim, e também seguir contribuindo como voluntária”, afirma.
Entre os planos estão atividades na Associação de Apoio a Pessoas com Câncer, projetos comunitários, grupos de discipulado e ações ligadas à música, área que sempre esteve presente em sua vida.
Marceli Erhardt Westphal encerra ciclo à frente do Bom Pastor. Fotos: Reprodução / Redes Sociais