Agro

Suinocultor perde R$ 1,18 por quilo em SC e Associação cobra redução do plantel

Custo de produção chega a R$ 6,23, enquanto produtores recebem cerca de R$ 5,05 por quilo; excesso de oferta agrava o cenário.

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Suinocultor perde R$ 1,18 por quilo em SC e Associação cobra redução do plantel Suinocultor perde R$ 1,18 por quilo em SC e Associação cobra redução do plantel - Foto: Shutterstock

Os produtores de suínos de Santa Catarina acumulam um prejuízo estimado de R$ 1,18 por quilo produzido. Atualmente, o custo chega a R$ 6,23, enquanto a remuneração média fica em R$ 5,05 por quilo.

A diferença compromete a continuidade da atividade em propriedades rurais de diferentes regiões do estado. A Associação Catarinense de Criadores de Suínos, a ACCS, atribui o cenário ao crescimento da produção, à baixa remuneração e à falta de equilíbrio entre os integrantes da cadeia produtiva. “Pensávamos que tínhamos chegado ao fundo do poço, mas estamos encontrando novos alçapões”, afirmou o presidente da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi.

Excesso de oferta derruba preço pago ao produtor

Segundo a associação, o aumento na quantidade de animais enviados ao mercado pressionou o preço recebido pelos suinocultores.

Nos últimos anos, o plantel catarinense ganhou cerca de 105 mil matrizes, como são chamadas as fêmeas destinadas à reprodução. Ao mesmo tempo, houve aumento da produtividade e do peso dos animais abatidos.

Atualmente, parte dos suínos ultrapassa 130 quilos no momento do abate. Com mais animais e maior volume de carne disponível, a oferta cresceu acima da capacidade de absorção do mercado. “É inadmissível aumentar 105 mil matrizes de um ano para outro. Com uma produção menor, manteríamos margem na propriedade e na indústria”, declarou Lorenzi.

A ACCS defende que indústrias, cooperativas e produtores independentes reduzam o plantel de maneira coordenada.

Dólar e consumo interno pressionam a suinocultura

A cotação do dólar também interfere na remuneração dos produtores. Uma moeda norte-americana mais baixa reduz o valor recebido pelas exportações quando convertido para reais.

Além disso, a queda no poder de compra das famílias limita o consumo de carne no mercado brasileiro.

Apesar disso, a ACCS considera que o crescimento sem planejamento da produção representa o principal fator da crise atual.

Conforme a entidade, Santa Catarina mantém reconhecimento sanitário e participação nas exportações. Entretanto, esses resultados não garantem rentabilidade dentro das propriedades.

Preço menor no campo não chega ao consumidor

A associação também aponta que a queda no valor pago pelo suíno vivo não aparece, na mesma proporção, nos preços dos supermercados.

Embora ocorram promoções pontuais, principalmente aos finais de semana, os consumidores continuam pagando valores considerados altos pela carne suína.

Para a ACCS, essa diferença mostra que a redução do preço se concentra no produtor, sem repasse equivalente nas demais etapas da cadeia.

A cotação da associação indica valores próximos de R$ 5 por quilo para parte dos produtores catarinenses, com variações conforme a empresa compradora e o modelo de produção.

Cobrança retroativa de ICMS amplia preocupação

Além da baixa remuneração, produtores enfrentam cobranças tributárias relacionadas à venda de animais para outros estados.

Segundo a ACCS, o Governo de Santa Catarina passou a cobrar valores de ICMS referentes aos últimos cinco anos em algumas operações interestaduais.

A entidade questiona a falta de orientação anterior aos produtores. Conforme a associação, os suinocultores não tiveram oportunidade de corrigir os procedimentos antes do acúmulo das dívidas.

Em alguns casos, os valores cobrados chegam a cifras que comprometem a manutenção das propriedades.

Biosseguridade exige novos investimentos

Os produtores também precisam adequar as granjas às novas normas de biosseguridade. As medidas buscam impedir a entrada e a disseminação de doenças nos rebanhos.

Os protocolos foram assumidos em um período no qual o setor trabalhava com projeções financeiras mais favoráveis. No entanto, a perda de margem reduziu a capacidade de investimento dos suinocultores.

Entre as adequações estão mudanças estruturais, controle de acesso às propriedades e reforço nos procedimentos sanitários.

ACCS pede transparência e planejamento

Para a associação, a recuperação depende de uma ação conjunta entre produtores, cooperativas, indústrias e poder público.

A ACCS também cobra transparência na divulgação dos números de alojamento e expansão dos plantéis. Esses dados, segundo a entidade, ajudam a planejar a produção e evitar novos excessos de oferta. “Agora não adianta procurar culpados. Precisamos sentar à mesa, mostrar os números reais e manter o produtor com qualidade de vida”, concluiu o presidente da ACCS.

A entidade avalia que, sem redução do volume produzido e recuperação dos preços, mais famílias poderão abandonar a suinocultura em Santa Catarina.

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