Os produtores rurais do Alto Vale devem eliminar todas as plantas vivas de soja durante o período do vazio sanitário. A regra vale para lavouras, pátios, estradas internas e locais usados no transporte ou carregamento dos grãos.
Em 2026, o vazio sanitário começou em 13 de junho e segue até 21 de setembro na região. Durante esse intervalo, a legislação proíbe cultivar, manter ou permitir plantas vivas de soja, inclusive as que nascem de forma espontânea.
A medida busca reduzir a presença do fungo causador da ferrugem asiática. Sem plantas hospedeiras no campo, a doença encontra menos condições para permanecer entre uma safra e outra.
Plantas voluntárias de soja devem ser eliminadas
As plantas que nascem após a colheita são conhecidas como voluntárias, guaxas ou tigueras. Elas podem surgir de sementes que caíram no solo durante a operação das máquinas ou o transporte da produção.
Por isso, o engenheiro agrônomo e gerente operacional da Cravil, Moacir Warmling, orienta os produtores a verificarem toda a propriedade. “Precisamos pensar em todas as áreas possíveis que possam ter alguma presença de planta viva, como pátios e locais onde houve transporte ou carregamento das colheitadeiras”, explicou.
Além das áreas cultivadas, o produtor deve vistoriar galpões, margens de estradas e pontos próximos aos equipamentos agrícolas. “É importante conhecer bem a propriedade e vistoriar todos os possíveis pontos para fazer a eliminação total dessas plantas”, acrescentou Moacir Warmling.
Produtor pode usar arranquio, máquinas ou herbicidas
O método de eliminação depende da quantidade de plantas encontradas. Quando existem poucos exemplares, o produtor pode realizar o arranquio manual. “Se forem poucas plantas, pode ser feito o arranquio, evitando que elas permaneçam em estágio vegetativo”, orientou o engenheiro agrônomo.
Entretanto, áreas com maior presença de soja voluntária podem exigir uma operação mecânica. Nesse caso, o produtor pode utilizar grades ou outros equipamentos adequados.
Além disso, existe a possibilidade do controle químico. “Também podem ser utilizados herbicidas específicos para fazer a destruição dessas plantas”, afirmou.
O produtor deve buscar orientação técnica antes de aplicar qualquer produto. Dessa forma, pode escolher o manejo adequado para a área e evitar problemas nas culturas seguintes.
Ferrugem asiática pode chegar mais cedo às lavouras
A ferrugem asiática é uma doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. As plantas infectadas podem perder folhas antes do período esperado, o que prejudica a formação e o enchimento das vagens.
Quando plantas de soja permanecem vivas durante o vazio sanitário, o fungo pode continuar se desenvolvendo. Assim, a nova lavoura corre o risco de receber a doença logo no início do ciclo. “Se eu tiver plantas de soja nesse período, a doença poderá entrar de forma antecipada na nova safra”, explicou Moacir Warmling.
Segundo o engenheiro agrônomo, o problema pode aumentar o número de aplicações de fungicidas. Consequentemente, o produtor enfrenta custos maiores e pode registrar queda na produtividade.
O Ministério da Agricultura estabelece pelo menos 90 dias sem a cultura e sem plantas voluntárias no campo. A estratégia também busca diminuir aplicações de fungicidas e o risco de resistência do fungo aos produtos utilizados.
Semeadura da soja começa em 22 de setembro
Após o fim do vazio sanitário, o calendário permite a semeadura da soja no Alto Vale entre 22 de setembro de 2026 e 22 de janeiro de 2027. As datas correspondem à Região II, que abrange os municípios catarinenses fora da região Sul delimitada pela Cidasc.
Santa Catarina possui dois calendários porque as regiões apresentam diferenças de clima, temperatura, umidade e condições de solo.
O calendário de semeadura limita o período de implantação das lavouras. A medida complementa o vazio sanitário e reduz o tempo de permanência de plantas vivas no campo.
Cultivos excepcionais precisam de autorização da Cidasc
A legislação permite algumas exceções ao vazio sanitário e ao calendário de semeadura. Porém, o interessado precisa solicitar autorização à Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina, a Cidasc.
As exceções incluem atividades de pesquisa, ensino, produção de sementes e unidades demonstrativas em feiras agropecuárias. A Cidasc também pode analisar situações relacionadas à produção de grãos afetada por condições climáticas. “Algumas finalidades específicas podem existir, mas é necessário solicitar uma autorização para esses cultivos excepcionais”, informou Moacir Warmling.
Em caso de dúvida, os produtores podem procurar orientação técnica nas lojas agrícolas e nos escritórios da Cravil espalhados pela região.
Ouça a reportagem de Berta Thiesen:
Vazio sanitário da soja. Foto: Reprodução / Sistema Faeg Senar