Justiça

Prefeito de Alfredo Wagner diz que foi conduzido à delegacia por causa de arma de fogo sem registro

Em entrevista exclusiva, Gilmar Sani afirmou que a arma foi encontrada em sua residência durante operação e que recebeu o objeto de presente do pai.

Prefeito de Alfredo Wagner diz que foi conduzido à delegacia por causa de arma de fogo sem registro Foto: Reprodução/ND Mais

O prefeito de Alfredo Wagner, Gilmar Sani (PL), se pronunciou na noite desta terça-feira (27) sobre a Operação Dominus Urbis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Em entrevista exclusiva à Rádio Sintonia, o prefeito afirmou que foi conduzido à delegacia de Lages após os agentes encontrarem uma arma de fogo sem registro em sua residência.

A declaração ocorre após a divulgação de informações de que o chefe do Executivo municipal havia sido preso durante a operação. Segundo Gilmar Sani, sua condução à delegacia ocorreu em razão da arma encontrada durante as buscas.

“Quando eles vieram aqui em casa hoje cedo, eu tinha uma arma sem registro. Uma arma que ganhei do meu pai de presente”, relatou. O prefeito afirmou que nunca utilizou a arma e que prestou esclarecimentos às autoridades em Lages.

Prefeito afirma que foi à delegacia por causa de arma sem registro

Durante a entrevista ao repórter Jonas Alves, o prefeito explicou que foi surpreendido pela chegada dos agentes à sua residência na manhã desta terça-feira (27). Segundo ele, os policiais encontraram uma arma de fogo que teria recebido do pai.

“Uma arma que nunca usei, nunca dei um tiro. Eles me pediram para me conduzir até a delegacia em Lages, onde fui e tive uma audiência com eles sobre essa arma. O meu motivo de ir a Lages foi só por causa da arma mesmo”, declarou.

Gilmar Sani também afirmou que desconhecia as consequências legais de manter uma arma sem registro.

O relato do prefeito, entretanto, não esclarece a classificação jurídica do procedimento realizado na delegacia nem confirma se houve prisão em flagrante, pagamento de fiança ou outra medida relacionada à arma.

Gilmar Sani diz estar à disposição da Justiça

Questionado sobre as investigações, o prefeito afirmou que pretende colaborar com as autoridades e prestar os esclarecimentos necessários.

“Quero dizer a todos os alfredenses que estou muito tranquilo. Estamos à disposição da Justiça, prontos e abertos para explicar o que for preciso”, afirmou.

Ele também agradeceu às pessoas que o procuraram durante o dia para manifestar preocupação com a situação. Gilmar Sani disse ainda que pretende retomar suas atividades na prefeitura nesta quarta-feira (28).

“A partir de amanhã eu vou trabalhar. A coisa não pode parar”, declarou.

Operação Dominus Urbis investiga suspeitas de corrupção e fraudes

A Operação Dominus Urbis investiga a possível atuação de uma organização criminosa envolvida em irregularidades na administração pública, incluindo direcionamento de licitações, favorecimento de empresas, corrupção e lavagem de dinheiro.

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, as investigações apontam indícios de participação de agentes públicos, empresários, familiares e pessoas que teriam sido utilizadas para ocultar bens e movimentações financeiras.

Ao todo, foram expedidos 51 mandados de busca e apreensão pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, cumpridos em Alfredo Wagner, Bocaina do Sul, Palhoça, Blumenau, Xaxim e Ilhota.

Entre os locais que receberam equipes estão residências, empresas e órgãos públicos, incluindo as prefeituras de Alfredo Wagner e Bocaina do Sul.

Além das buscas, a Justiça determinou a indisponibilidade de R$ 2,7 milhões em bens e valores vinculados aos investigados e às empresas apontadas na apuração.

Durante a operação, também foram registradas prisões em flagrante relacionadas à posse ilegal de armas de fogo, além de uma autuação em flagrante por lavagem de dinheiro.

Investigação segue sob sigilo judicial

O nome Dominus Urbis significa “Senhor da Cidade” e, segundo o Ministério Público, faz referência à suspeita de influência exercida pelo principal investigado sobre setores da administração municipal e atividades econômicas locais.

Os materiais apreendidos serão analisados pelas autoridades responsáveis, e o processo tramita sob segredo de justiça.

Na entrevista à Rádio Sintonia, Gilmar Sani não apresentou esclarecimentos específicos sobre as suspeitas de irregularidades em licitações e contratações públicas investigadas na operação.

A condução do prefeito à delegacia, relatada por ele como relacionada à arma de fogo, não permite concluir, por si só, sua responsabilidade ou inocência em relação aos demais fatos investigados.

A Rádio Sintonia segue acompanhando os desdobramentos da operação.

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