A campanha eleitoral começou oficialmente nesta data, 16 de agosto de 2026 — e não demorou para os discursos populistas aparecerem. Antes de a semana terminar, já vi manchete de candidato defendendo a redução da maioridade penal.
Preparando esta coluna, li o editorial do Estado de S. Paulo intitulado "Por uma campanha decente". O texto é quase uma súplica: que tenhamos, desta vez, uma campanha à altura — e candidatos à altura, depois de anos em que a política brasileira muito decepcionou.
E o primeiro sinal já confirma o receio do editorial. A proposta que apareceu na largada foi, uma vez mais, a redução da maioridade penal.
Vale lembrar: pena vem depois do crime. Até o momento, não ocorreu nenhuma proposta séria de prevenção — mais efetivo policial, mais investimento em educação. Absolutamente nenhuma proposta ao menos “razoável”.
Educação nunca é bandeira de quem lidera pesquisa. Talvez porque há tempos não vemos um candidato que entenda de verdade a importância de tal tema. E pagamos caro por isso: anos seguidos de presidentes aquém do que o cargo exige.
Fica o registro: investir em educação é investir em segurança pública. De igual forma que investir em esporte é investir em saúde.
Um país sem educação não escolhe governantes — sobra pra eles escolherem por nós. E enquanto a educação for sobra de orçamento, a segurança pública será sempre remédio tardio – e amargo!
Mas, até agora, nenhum dos cinco principais nomes na disputa — Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado ou Renan Santos — apresentou proposta minimamente concreta nem para a segurança pública, nem para a deseducação brasileira.
Pobre Brasil.
Felipe Arthur Maciel França é jurista, Mestre em Direitos Fundamentais.
Campanha Eleitoral e Educação - Imagem Ilustrativa. Foto: Geração de IA