Saúde

Dia do Homem acende alerta para saúde mental masculina

Psicólogo da rede municipal orienta homens a procurarem ajuda e destaca o papel da família na identificação de mudanças de comportamento.

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Dia do Homem acende alerta para saúde mental masculina Dia do Homem acende alerta para saúde mental masculina - Foto: Reprodução Internet

Nesta quarta-feira, 15 de julho, Dia do Homem, a saúde mental masculina ganha espaço como tema de reflexão em Ituporanga. A data chama atenção para um assunto ainda cercado por tabus: a dificuldade que muitos homens enfrentam para falar sobre sentimentos, ansiedade, depressão e sofrimento emocional.

Segundo o psicólogo da Secretaria Municipal de Saúde de Ituporanga, Isleno Magno, pós-graduado em Fundamentos da Psicanálise, muitos homens ainda associam a busca por atendimento psicológico à fraqueza. Para ele, esse comportamento pode atrasar o diagnóstico e o tratamento de problemas emocionais. “O homem procura o dentista quando tem problema no dente, procura o cardiologista quando tem problema no coração, mas quando fala em sentimento, depressão ou ansiedade, muitas vezes não quer procurar um psicólogo porque acha fraqueza”, afirmou.

Tabu dificulta busca por atendimento psicológico

De acordo com o psicólogo, a resistência masculina em falar sobre saúde mental começa ainda na infância, quando muitos meninos são ensinados a esconder emoções.

Expressões como “homem não chora” ajudam a reforçar a ideia de que demonstrar sofrimento é sinal de fragilidade. No entanto, segundo Isleno, sentimentos reprimidos podem aparecer de outras formas ao longo da vida. “Isso pode ser canalizado para bebida alcoólica, drogas, agressividade, irritabilidade, dificuldade de relacionamento e problemas familiares”, explicou.

O psicólogo ressalta que depressão, ansiedade e sofrimento emocional precisam ser tratados com seriedade. Portanto, a busca por ajuda profissional deve ser vista como cuidado com a saúde, e não como vergonha.

Família pode perceber os primeiros sinais

A família tem papel importante na identificação de mudanças de comportamento. Segundo Isleno, pessoas próximas podem observar quando um homem passa a se isolar, fica mais retraído ou demonstra irritabilidade frequente. “A família é a base de tudo. As pessoas que convivem com esse homem podem identificar mudanças e incentivá-lo a procurar ajuda”, afirmou.

O psicólogo também orienta que amigos e colegas estejam atentos. Mudanças no convívio, no trabalho, no relacionamento ou na rotina podem indicar que a pessoa precisa de acompanhamento.

Esporte e lazer ajudam, mas não substituem tratamento

Atividades físicas, hobbies e momentos de lazer contribuem para a saúde mental. Para alguns homens, jogar futebol, caminhar, andar a cavalo, praticar meditação ou conviver com a família pode ajudar a aliviar tensões do dia a dia.

No entanto, o psicólogo alerta que essas práticas não substituem a psicoterapia quando existe sofrimento emocional persistente. “O esporte e o lazer contribuem para a saúde mental, mas não substituem a psicoterapia. Em alguns casos, também pode ser necessário acompanhamento com psiquiatra”, disse.

Segundo Isleno, cada pessoa encontra equilíbrio de uma forma. Por isso, o cuidado precisa considerar a realidade e a história de cada homem.

Atendimento pode começar nas unidades de saúde

Em Ituporanga, homens que enfrentam ansiedade, depressão ou outros conflitos emocionais podem procurar a unidade básica de saúde de referência.

O primeiro atendimento pode ocorrer com médico, enfermeiro, agente comunitário de saúde ou profissional da psicologia. Depois disso, a equipe faz os encaminhamentos necessários dentro da rede pública. “O usuário do SUS deve procurar o posto de referência. O profissional fará o encaminhamento necessário para ajudar esse paciente que está passando por algum conflito ou transtorno”, explicou o psicólogo.

Procurar ajuda é cuidado, não fraqueza

Para o psicólogo, o Dia do Homem deve servir como um lembrete para que a população masculina olhe com mais atenção para a própria saúde.

Além disso, a data reforça a importância de combater frases e comportamentos que impedem os homens de pedir ajuda. “É preciso estar em alerta, procurar ajuda e identificar os sinais. A vida é complexa e, muitas vezes, a pessoa precisa de acompanhamento para lidar com aquilo que está sentindo”, concluiu Isleno Magno.

Ouça a reportagem de Jean Carlos:

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