O Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, lembrado em 10 de outubro, amplia o debate sobre a prevenção e a denúncia de agressões contra mulheres e meninas. Para a advogada Fabiana Linhares, de Rio do Sul, o enfrentamento precisa ocorrer durante todo o ano e envolver também a sociedade.
Com 30 anos de advocacia, Fabiana afirma que dedica 25 anos ao trabalho voluntário relacionado à causa das mulheres e meninas. Segundo ela, campanhas como o Agosto Lilás e as ações realizadas em outubro ajudam a ampliar o acesso à informação.
“O trabalho preventivo, que são as campanhas de combate à violência contra mulheres e meninas, sustenta as nossas esperanças de que a violência venha a diminuir no nosso país e no mundo como um todo”, afirma.
Violência contra a mulher pode ocorrer de diferentes formas
Fabiana chama a atenção para situações que podem anteceder agressões físicas ou até o feminicídio. Segundo a advogada, a violência também pode ser psicológica, sexual, política ou relacionada ao gênero.
“Não é natural a violência. A violência, quando ela é naturalizada, seja psicológica, física, sexual, política, de gênero, se torna um fato recorrente, banal”, explica.
Por isso, ela considera necessário identificar os primeiros sinais e buscar ajuda. Para Fabiana, a rede de proteção precisa atuar quando a violência acontece, mas a prevenção também depende de mudanças no comportamento da sociedade.
Medo pode dificultar denúncia de violência
Um dos obstáculos enfrentados pelas vítimas é o medo. Conforme Fabiana, uma mulher pode levar tempo para denunciar ou apresentar dificuldades para romper o relacionamento com o agressor.
“O medo não é à toa e ele não deve ser entendido como um defeito, um demérito, uma culpabilização da vítima”, afirma.
A advogada também questiona a cobrança feita sobre mulheres que relatam agressões depois de meses ou anos.
“Passou-se tantos anos, por que não denunciou? Se faz ainda essa pergunta. E essa pergunta está errada”, diz.
Segundo Fabiana, independentemente do tempo transcorrido, a vítima precisa encontrar acolhimento quando decide procurar ajuda.
Sociedade também pode denunciar casos de violência
A prevenção não depende somente da mulher que sofre a violência. Familiares, amigos, vizinhos e outras pessoas podem comunicar situações de risco aos órgãos responsáveis.
“Quando você escuta um barulho que não é normal e que alguém está sendo machucado, e se o barulho for da casa da vizinha, não se omita. Denuncie”, orienta Fabiana.
Além disso, a advogada defende a participação dos homens nas ações de prevenção. “O que nós precisamos é o engajamento dos homens dizendo: ‘Não aceito violência’”, afirma.
Rede de proteção deve acolher mulheres vítimas de violência
Fabiana também aponta a importância da atuação conjunta das forças de segurança, Ministério Público, Judiciário, advocacia e demais serviços envolvidos no atendimento.
“Não importa quanto tempo a violência está acontecendo. É preciso que a mulher seja encorajada”, afirma.
Para a advogada, o primeiro atendimento deve priorizar o acolhimento e a proteção da vítima. Depois, os órgãos responsáveis podem adotar as medidas previstas para cada situação.
O Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher ocorre em 10 de outubro. A data integra o calendário de mobilização sobre o tema, enquanto os serviços de atendimento e os canais de denúncia permanecem disponíveis durante todo o ano.
Ouça a reportagem especial de Vanessa Montibeller.
Dia de Combate à violência contra a mulher. Foto: Divulgação /site Diário de Vanguarda