A secretária de Assistência Social de Ituporanga, Carla Costa, fez um alerta à população sobre a forma como pessoas em situação de rua são vistas e tratadas no município. A fala ocorreu durante entrevista à Rádio Sintonia e também serviu para explicar o trabalho realizado pelas equipes de assistência social.
Segundo Carla, pessoas em situação de rua têm direitos como qualquer cidadão, inclusive o direito de ir e vir. Ela afirmou que, muitas vezes, a população julga pela aparência ou pela condição em que a pessoa se encontra. “Uma pessoa em situação de rua não é um bicho. Ela tem direito, como todos nós temos direito de ir e vir”, afirmou.
Caso em praça marcou a equipe
Durante a entrevista, Carla relatou um caso que, segundo ela, não sai de sua memória. A secretária contou que recebeu uma ligação no fim de uma tarde informando que uma pessoa estava deitada na praça Fei Gabriel desde o início do dia.
Como a equipe responsável pelo atendimento estava em visita, Carla foi até o local. Ao chegar, percebeu que o homem não estava bem e acionou o Corpo de Bombeiros, que fez o encaminhamento ao hospital.
Conforme o relato, o homem recebeu alta na manhã seguinte e retornou para a praça. Mais tarde, foi encontrado sem vida sentado em um banco.
Para a secretária, o caso mostra a importância de acionar ajuda sempre que alguém aparentar estar em situação de risco.
Secretaria pede olhar mais humano
Carla ressaltou que o objetivo não é justificar comportamentos, mas pedir que a população tenha mais atenção diante de situações de vulnerabilidade.
Segundo ela, muitas pessoas passam por locais públicos, percebem alguém em sofrimento, mas demoram a comunicar os serviços responsáveis. “Eles são pessoas. Não é, às vezes, uma escolha deles estarem ali. Se a gente conseguisse olhar mais para o próximo, as coisas dariam mais certo”, disse.
Assistência Social faz visitas semanais
A coordenadora do CREA de Ituporanga, Júlia Ernandes, também explicou que as equipes realizam visitas semanais para acompanhar pessoas em situação de rua em Ituporanga.
Segundo ela, a Secretaria recebe ligações frequentes de moradores questionando se o município está ajudando ou acompanhando essas pessoas. No entanto, conforme Júlia, o trabalho ocorre de forma contínua, com abordagens, conversas e avaliação de cada situação.
Nessas visitas, as equipes verificam se a pessoa deseja retornar para a cidade de origem, restabelecer contato com familiares ou aceitar algum tipo de encaminhamento.
Município pode auxiliar no retorno à família
De acordo com Carla, quando a pessoa em situação de rua não é de Ituporanga, a Secretaria avalia se há interesse em retornar ao município de origem.
Nesses casos, a equipe entra em contato com familiares, explica a situação e pode auxiliar com passagens para o retorno.
A secretária também observou que, muitas vezes, os laços familiares estão fragilizados, o que exige cuidado e acompanhamento individualizado.
Dependência química também entra no atendimento
A Secretaria de Assistência Social também oferece apoio quando há casos relacionados à dependência química.
Segundo Júlia, sem generalizar, parte das pessoas acompanhadas enfrenta esse tipo de situação. Quando há interesse, a equipe auxilia no encaminhamento para tratamento, inclusive internação, conforme a necessidade de cada caso.
Para a Secretaria, o trabalho busca acolher, orientar e construir alternativas possíveis, sempre respeitando a realidade de cada pessoa.
Confira o que disse a secretária Carla Costa e a coordenadora do CREA Júlia Ernandes:
Foto: Reprodução / ONG É por Amor